[ editar artigo]

3 barreiras do passado que não fazem mais parte da gestão do presente

3 barreiras do passado que não fazem mais parte da gestão do presente

Susanne Andrade, Sócia-diretora da A&B Consultoria e Desenvolvimento Humano, destaca características ultrapassadas de gestão e aponta caminhos para liderança nesse novo mundo do trabalho.

 

Autocrático, mandão, frio e fechado em seu mundinho… Essas são apenas algumas das características do ‘chefe’ de tempos atrás. Comandar o funcionário, através de uma ordem é um conceito ultrapassado de gestão que não cabe mais no mundo corporativo. 

As coisas mudaram e é urgente que as organizações se reinventem para além da transformação digital: a transformação humana.

 

Um líder, ao contrário daquele que apenas manda, inspira o seus liderados a assumirem o protagonismo e autogestão. 

 

Para que uma organização mantenha sua base sólida, deve direcionar o seu foco ao gerenciamento de pessoas, pois o principal ativo de qualquer corporação é, sem dúvida, o seu capital humano. Mesmo assim, alguns gestores sustentam práticas de má liderança que não fazem mais sentido, pois não criam um ambiente de qualidade para que os resultados fluam. O papel do líder é fundamental para que, realmente, seja possível ocorrer essas mudanças.

Neste artigo, trago três erros do passado que não fazem mais parte da gestão do presente e muito menos do futuro.

Primeiro erro: Gestão por Conflito

Esse tipo de gestão cria um ambiente laboral tenso, promove um clima de competitividade destrutiva entre as pessoas e faz aflorar o lado ruim do ser humano, que para subir na carreira não pensa duas vezes em prejudicar o colega de trabalho.

Em décadas passadas, esse estilo de gerência ainda trazia resultados, mas a um alto custo, que as novas gerações não se submetem mais. Com o tempo, as pessoas começaram a adoecer, tanto física quanto emocionalmente. Ninguém mais aguenta esse ritmo que acaba elevando os níveis de estresse e gerando quadros de depressão e ansiedade. 

Um dos grandes problemas que percebo nas organizações hoje é o presenteísmo, ou seja, o colaborador está presente de corpo, mas a alma está longe. Resultado: não consegue produzir nada. Muitas vezes, essa pessoa pode estar deprimida ou doente.

Pesquisa da Gallup aponta que 72% dos profissionais hoje estão infelizes e sem entusiasmo. Um dos fatores é o clima tenso, com formação de silos, onde predomina um padrão de uma equipe contra a outra, como se fossem concorrentes ou até mesmo rivais.

É justamente essa mudança que precisa acontecer. Quando se tem uma gestão que possibilita um ambiente colaborativo, tudo flui melhor, havendo a quebra desses silos. As pessoas passam a ser mais humildes e pedem ajuda, gerando maior sinergia entre elas, ao interagirem em busca do mesmo propósito: trabalhar com qualidade rumo aos resultados. 

Segundo erro: Gestão por ‘Comando x Controle’

Típico estilo de gestão que não engaja ninguém. Muito pelo contrário. E, por incrível que pareça, ainda existem muitos gestores que se utilizam dessa postura que passa por atitudes do ‘eu mando e você obedece’; por relações em que o líder se coloca como ‘dono da verdade’ perante seus subordinados; pela hierarquia de cargos e até se valendo do poder. Tudo isso pode suscitar atitudes inconvenientes como, por exemplo, desqualificar um colega diante de toda uma equipe, comportamentos que podem ser, inclusive, caracterizados como assédio moral. 

Pesquisas indicam que cerca de 70% dos profissionais que deixam uma organização, saem justamente pelo estilo equivocado de liderança. Gestores assim devem mudar seu mindset. Hoje, o profissional quer participar de forma mais protagonista. A tendência atual é de que a gestão seja cada vez mais horizontal; no entanto, o colaborador quer assumir um papel em um lugar onde o líder seja mais servidor e humanizado – que se comunica de forma não violenta, respeitando as pessoas.

Mas, como abandonar esse jeito de comandar? Penso que, ao invés de mostrar ‘o caminho das pedras’, o gestor pode liderar de outras maneiras como, por exemplo, por meio de perguntas do tipo: ‘o que você faria se estivesse em meu lugar?’ ou ‘como podemos conquistar e encantar este cliente?’. Ou ainda, no caso de um erro: ‘como podemos ajustar esse projeto e aprendermos com os erros?’. Questões como essas fazem o colaborador se sentir valorizado e, assim, ele se motiva e se engaja mais. 

Com o colaborador motivado e participativo, o líder amplia sua visão, aquela de que não existe só o seu caminho para alcançar uma solução e passa a enxergar outras possibilidades. Outra atitude importante para desenvolver essa liderança mais humanizada é a humildade de, por exemplo, pedir feedback ao colaborador. Isso demonstra a vulnerabilidade autêntica de um líder diante de seu time, o que ajuda a criar ainda mais conexão entre todos. 

Outros dois pontos que ajudam muito é a prática de reconhecimento e celebração. Quanto mais o gestor reconhece algo de positivo em uma equipe, mais ela se motiva a trazer resultados. O líder deve celebrar com seu time cada entrega feita, cada conquista realizada. São atitudes assim que ajudam a criar uma liderança servidora.

Terceiro erro: atribuir ao colaborador um serviço que não faça sentido

Apesar do título, o filme “Tempos Modernos” do genial Charles Chaplin, que retrata a linha de montagem de uma fábrica – onde a repetição de exercícios ao apertar parafusos causa alienação do operário –, não tem nada de moderno quando analisamos na perspectiva do momento que vivemos. Bem longe disso. Passar horas trabalhando de forma automática, como se fosse uma máquina, é algo absolutamente primitivo, que já não cabe ao ser humano na Era Digital.

Deixar um profissional desenvolver uma função que não faz sentido para ele, reproduzindo algo mecanicamente, como opera um robô, acaba virando um fardo. Fazer por fazer cansa e desmotiva qualquer um. Trabalhar por obrigação, apenas por um salário no final do mês não traz qualidade de vida.

 

Não dá mais para esperar o final do expediente, o final de semana, as férias ou se aposentar para ser feliz.

 

Nessa Era Digital, em que respiramos trabalho 24 horas por dia, por estarmos conectados o tempo todo, é preciso resgatar a qualidade de vida justamente na relação com o trabalho, a partir da escolha consciente de uma carreira. 

Para conquistarmos nossa saúde mental e entusiasmo pela vida, é preciso interiorizar o motivo pelo qual se faz algo. Isso tem a ver com “propósito”, que engaja e gera motivação.

Quanto mais um profissional tem consciência de seu papel e de sua sinergia para com o propósito da empresa, mais ele contribuirá para o atingimento de metas e resultados e, consequentemente, para o seu crescimento pessoal e profissional, pois estará realizado e feliz no seu dia a dia. E, quando o líder percebe o que faz brilhar os olhos de seus liderados, coloca a pessoa certa no lugar certo. Há diversas ferramentas que ajudam uma pessoa a entender os mobilizadores de sua carreira. No meu terceiro livro “O poder da simplicidade no mundo ágil”, eu falo de uma ferramenta chamada ‘O melhor de mim’ que auxilia na identificação do propósito de cada um.

Apesar de todas essas barreiras, o maior erro consiste nas pessoas esquecerem que são humanas no mundo corporativo, pois passaram a se relacionar ‘de crachá para crachá’. Hoje, nessa transformação digital, que, na verdade, é uma transformação humana, a primeira ação nesse movimento é buscar o autoconhecimento, depois procurar conhecer cada pessoa que faz parte da sua equipe, entender quem está por trás do crachá e mudar a perspectiva desses tipos equivocados de gestão.

É preciso liderar de ser humano para ser humano. Esse é o grande diferencial nesse novo mundo do trabalho.

 

Você tem uma experiência sobre esse assunto e quer compartilhar com outros líderes? Clique aqui e escreva seu artigo!

Ou se inspire com esses outros artigos incríveis sobre liderança:

Liderança otimista: Como criticar, elogiar e algumas cositas más..., por João Paulo Pacifico, CEO do Grupo Gaia.
Como gerenciar emoções para tomar melhores decisões, por  Eduardo Pacífico, Co-fundador da ONG Gaia+, e aprenda em 4 passos como colocar a cabeça de "volta no lugar".

 


Susanne Andrade – Escritora, sendo um de seus Best-Sellers “O Poder da Simplicidade no Mundo Ágil”.  É coach, palestrante e professora de cursos de MBAs pela FIAP. Sócia-diretora da A&B Consultoria e Desenvolvimento Humano, empresa que criou o “Modelo Ágil Comportamental”, e Head de Soft Skills na Nano Learning. Voluntária no Grathi. 

Líder Academy
Susanne Andrade
Susanne Andrade Seguir

Escritora, Coach e Palestrante. Professora de MBAs na FIAP. Sócia-Diretora da A&B Consultoria e Desenvolvimento Humano, empresa que criou o “Modelo Ágil Comportamental". Autora do livro "O Poder da Simplicidade no Mundo Ágil". Voluntária no Grathi.

Ler conteúdo completo
Indicados para você