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A redescoberta do verbo cuidar: Como líderes devem atuar em tempos de incerteza

A redescoberta do verbo cuidar:
Como líderes devem atuar em tempos de incerteza

Sofia Esteves, Fundadora do Grupo Cia de Talentos/Bettha, Comentarista e Colunista de Carreira, destaca aos líderes a importância do bem-estar dos colaboradores. 

 

Com o aumento das incertezas, o bem mais valiosos das organizações é amplamente afetado: o bem-estar dos colaboradores. Crises econômicas proporcionam desafios para toda a sociedade, gerando cenários de medo, estresse e pressão. Portanto, já que fomos constatados como o país mais ansioso do mundo, de acordo com a OMS – Organização Mundial de Saúde – qualquer gerenciamento de crise daqui a diante deve olhar para  essa realidade com muita responsabilidade. 

Além disso, a retração econômica global está levando empresas a tomarem medidas emergenciais que assegurem a saúde dos colaboradores e contenham gastos. O momento pede por ações rápidas diante o cenário instável com providências nem sempre fáceis de serem decididas. Isso exige a participação de personagens fundamentais em qualquer organização: as lideranças! 

Liderando em tempos de crise

O momento demanda que as lideranças tenham que ir além dos padrões das quais estavam habituadas e sejam facilitadoras ativas de novas ações e possibilidades. Perceba como o mundo todo está olhando para as ações que os presidentes de cada nação estão tomando diante à pandemia. Cada gesto está sendo analisado como cuidado, ou falta dele, em relação à humanidade e repercutindo em aprovação, ou rejeição e que, após o término da crise, irá impactar profundamente a relação de cada país com seu líder. Não será diferente dentro das empresas. 

 

As circunstâncias estão nos fazendo rever prioridades, caminhos e modelos de gestão e nunca antes tivemos uma oportunidade tão importante de descobrirmos a verdadeira liderança – a arte do saber cuidar.  

 

O que cabe aos líderes nesse momento?

Em primeiro lugar, calma!

Para liderar com eficiência, é necessário haver domínio sobre as próprias emoções. É comum haver falhas por partes da liderança pela falta de autocuidado, o que acaba afetando a inteligência emocional dos gestores. O líder deve servir às necessidades dos colaboradores e da organização, porém já diziam nossas avós “saco vazio não para em pé”.  

Um líder precisa alimentar-se corretamente, dormir, exercitar-se e ter as emoções em dia para ser um pilar de sustentação. Além de que, cair nas armadilhas do estresse são um convite às decisões impulsivas e ao esgotamento mental que resultam em comunicações incorretas e por vezes, irritadiças – gerando conflitos e aumentando a demanda de problemas a serem resolvidos. Reserve pequenos momentos do dia para recuperar o fôlego e respirar. Descubra o poder que um grande copo de água tem de oxigenar as ideias. Também aproveite para fortalecer os laços familiares, convidando para momentos comuns de lazer, como jogar jogos de tabuleiro, montar quebra cabeças ou outras atividades que todos gostem de fazer. Garanto que é fundamental seguir esse primeiro passo para agir com excelência.

Em segundo lugar, valores e atitudes

Em mares agitados a confiança é a guia. Ela deve começar a partir de você. Se você ocupa uma posição de gestão é porque mereceu esse lugar. Agora, mais do que nunca é hora de colocar o seu valor em prática.

Confiança gera conexão. Quando os liderados sentem segurança em relação aos gestores é infinitamente mais fácil conduzir equipes em direção às soluções eficazes. Seu papel é criar esse ambiente através de acolhimento e transparência. Isso envolve vulnerabilidade. Você não precisa esconder sua humanidade, pelo contrário.

 

A coragem não é desprovida de medo. Admiramos os corajosos porque sabemos que eles enfrentam os próprios desafios e limitações e semeiam segurança e também, tão importante ao momento atual, plantam a esperança. 

 

A transparência deve trazer clareza aos colaboradores sobre a realidade da empresa diante à crise. A confiança e a esperança atuam juntas quando o líder deixa claro que a união dos colaboradores é capaz de atravessar qualquer situação. Dessa forma, o senso de coletivo é despertado, a criatividade é ativada e a vontade de vencer fica maior que o medo de perder, tornando a empresa uma família, onde todos batalham e cuidam do bem-estar coletivo uns dos outros. 

A confiança gera esperança. A esperança produz “magia”, paixão, coragem. A “magia” é quem desperta nossas habilidades e motiva a potência de cada colaborador para trabalhar em união. Assim, forma-se uma legião de talentos confiantes, trabalhando com a certeza de que conquistarão os objetivos. Você já presenciou o poder que tem um profissional que confia em suas capacidades? É disso que estou falando e você, como líder, tem a responsabilidade de acender essa chama vencedora em cada um dos seus liderados. 

Em terceiro lugar, ações estratégicas

Desperte lideranças: crie um comitê de soluções emergenciais com gestores de cada área para concluírem juntos qual o cenário atual e elaborarem soluções eficientes a cada etapa da crise. Para haver sucesso, a escuta ativa é essencial. Crie um ambiente onde todos sintam que são importantes e suas sugestões são consideradas, mesmo que não possam ser aplicadas. 

A união dos times em um mesmo grupo fortalece a compreensão do que cada área está fazendo para conter a crise, criando um ambiente onde além de se inspirarem uns nos outros, os gestores também têm a oportunidade de contribuírem com ideias em setores que não são sua responsabilidade. Uma ótima oportunidade para perceber como esse modelo de gestão coletiva pode ser criativa e eficiente. 

Reveja metas e objetivos, mas preze pela responsabilidade social: seja por medo ou como a maioria, por necessidade, muitas empresas estão cortando investimentos e custos. É importante prever diferentes cenários, do mais otimista ao mais pessimista. Porém, é necessário equilibrar as necessidades sociais, como a manutenção de empregos, com a necessidade da sustentabilidade do negócio.

Em casos de crises econômicas, conseguir um novo emprego não é simples. Logo, a responsabilidade social deve ser mais importante do que investimentos que não sejam essenciais para o futuro da organização.

 

Um líder que se compromete a cuidar dos colaboradores em tempos de crise certamente será lembrado e valorizado pelo time e pela empresa. 

 

Esse momento deixará como legado o convite à muitas reflexões. É tempo de revisão, de ações assertivas e de lideranças empáticas, solidárias e mais do que nunca, humanas

 


Sofia Esteves é Fundadora e Presidente do Conselho do Grupo Cia de Talentos/Bettha. Professora de MBA e Especialização de RH da FIA e FGV
Comentarista e Colunista de Carreira GloboNews, Revista Exame
Valor Econômico e Você S/A. Membro do Conselho Banco BTG Pactual, Brazilian Student Association (BRASA), U-TECH, IBMEC, Instituto SER+, Savegnago e Fundação Raízen
Ela também é membro do Comitê Estratégico de Pessoas Hospital Albert Einstein
e Governo Federal. Especialista e Pesquisadora sobre Tendências de Gestão de Carreira e Futuro do Trabalho. 
Influencer pelo LinkedIn (650 mil seguidores) - eleita primeira Top Voices de
Carreira do Brasil em 2018 e 2019. 
Autora de 3 livros sendo o último: “Sua Carreira” – GloboNews.

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