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Ajude as pessoas a pensarem dentro de suas caixas.

Ajude as pessoas a pensarem dentro de suas caixas.
Cintia Suplicy
out. 31 - 6 min de leitura
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Será mesmo que devemos pensar fora da caixa?

 

Sempre associamos a criatividade a pensar fora da caixa. Mas o que é pensar fora da caixa? Romper padrões, sair da nossa bolha, ir além, buscar referências diferentes do usual? Em partes.

 

Antes de te explicar, vou te contar uma experiência que tive com a criatividade que mudou meu conceito sobre o tema.

 

No final dos anos 90 quando eu cursava Publicidade e Propaganda, participei de um processo seletivo da segunda maior agência publicitária do Brasil. Se você tem seus 40 anos ou mais, deve lembrar da campanha dos bichinhos da Parmalat. Para a primeira fase do processo, eu tinha que dar uma ideia para a continuação desta campanha. Para a minha surpresa, minha ideia foi selecionada e fui para a segunda fase, que era a entrevista com o dono da agência em São Paulo, o Nizan Guanaes, que era o papa da publicidade no Brasil.
 
Para mim, na verade, ele era o "Deus" da publicidade. E como é que uma menina como eu, com meus 20 e poucos anos, sem experiência ia conversar com o "Deus" e passar na entrevista?
 
A viagem a São Paulo foi tensa. Não havia dormido no dia anterior, ensaiando a minha fala com o "Deus".

Dos 5000 candidatos que concorreram à vaga, apenas 200 foram selecionados para falar com ele. Eu deveria estar me sentindo vitoriosa, mas tudo o que passava pela minha cabeça eram pensamentos sabotadores do tipo: “eu não sou ninguém”, “eu não tenho experiência”, “eu não vou passar”.
 
O medo tomou conta. Horas naquela fila de candidatos, todos parecendo muito mais preparados que eu e eu cada vez mais tensa, suando, tremendo, com o coração acelerado.
 
Lembro de me sentir da mesma forma quando fui pela primeira vez à Disney, com 9 anos de idade, na fila da montanha russa Space Mountain. 
 
Por mais que eu não tivesse dormido à noite, não tinha ideia do que eu ia dizer para o “Deus”. Era obrigatório levar portfólio. Havia feito alguns estágios na área, mas nada que eu pudesse mostrar a ele. Às pressas, montei um portfólio apenas com trabalhos da faculdade e lá fui eu, com a pastinha debaixo do braço.
 
Depois de algumas horas, a tensão só aumentava e finalmente ouvi meu nome. Eu queria sumir dali. Pensei até em desistir. Mas, curiosa para conhecer o “Deus”, entrei na agência e segui a orientação para chegar na sala dele, sabendo que eu não ia passar na entrevista.
 
Acho que a entrevista durou uns 3 minutos. Ele me olhou, pediu para eu sentar (a essas horas meu coração deveria estar saindo pela boca) e eu, com a voz trêmula, disse: muito prazer. Ele pediu para ver meu portfólio e como eu esperava, folheou aquilo sem muito interesse, fechou, me olhou bem nos olhos e me perguntou o que eu poderia fazer pela empresa.
 
E eu fiquei muda, travei. Siiim! Travei! Eu queria morrer de vergonha, me esconder debaixo da mesa, fugir dali. Um misto de culpa, vergonha e frustração tomou conta de mim. E de cabeça baixa, saí.
 
Dias depois fiquei sabendo que o estagiário selecionado para o cargo respondeu à mesma pergunta: "eu sei fazer acarajé"!
 
Naquele momento percebi e entendi que ele queria uma resposta criativa à sua pergunta. Ele é baiano. O candidato mostrou que conhecia sobre ele, sobre a empresa e foi criativo na resposta, apesar de não ter um portfólio profissional, assim como eu.
 
Vocês podem achar que a resposta foi boba, mas para um publicitário, dono da maior agência de publicidade do Brasil, foi uma sacada e tanto.

 

O que eu quero mostrar pra você é que ele passou não porque pensou fora da caixa, mas dentro da própria caixa. Foi ousado e buscou no seu próprio repertório uma resposta. Talvez tenha sido espontâneo ou talvez tenha preparado esta resposta por dias, assim como eu tentei fazer.

 

Mas isso só aconteceu porque o candidato permitiu que a sua criatividade transbordasse. O repertório já estava lá. Ele já tinha tudo. Bastava libertar-se de seus medos e expandir a sua própria caixa, sendo ele mesmo e utilizando seus próprios recursos.

 

Tive uma grande lição: eu era uma pessoa criativa, mas trazer à tona as minhas ideias dependia de um único fator:  Libertar-me dos meus medos e inseguranças. Já estava tudo ali.

 

Qual o papel do Líder em tudo isso?

 

A definição de criatividade no dicionário é: inventividade, inteligência e talento, natos ou adquiridos, para criar, inventar, inovar, quer no campo artístico, quer no científico, esportivo etc.

 

Quando falamos em talentos natos, estamos falando dos talentos que as pessoas possuem e que nem sempre conseguem acessar, seja por bloqueios emocionais ou seja por que a empresa não valoriza os talentos e qualidades individuais.

 

Aí entra o líder com um papel fundamental para que a criatividade da sua equipe venha à tona.

 

Só consegue dar vazão à criatividade quem tem permissão para ser quem é. A criatividade está diretamente ligada à autenticidade.

E sendo quem você é, você consegue acessar o que você, durante anos, acumulou de experiência, conhecimento, fracassos, sucessos e...ideias.

 

É preciso ajudar as pessoas a encontrarem, em seu próprio repertório, as soluções para os mais diversos desafios. É preciso estimulá-las a olharem para dentro, a lidarem com seus medos e com suas emoções, a conhecerem seus pontos fortes e aprenderem a lidar com eles. É lá que está a chave de tudo. 


Precisamos apenas abrir as nossas caixas e ajudar nossos liderados a abrirem as suas para então podermos expandir o nosso repertório e conectar os pontos que vão levar às soluções.

 

Se gostou, comente aqui. Vou adorar saber a sua opinião!

 

Até a próxima!

 

Cintia Suplicy

 

 



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