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ATLAS, O LÍDER

ATLAS, O LÍDER
Rodrigo Malfitani
Nov. 4 - 5 min read
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Tema ampla e profundamente discutido, a LIDERANÇA parece ter se tornado uma competência obrigatória para todo e qualquer membro de qualquer organização do mundo. Há uma sensação de que esse é o único caminho de nossas carreiras. Todos devemos aprender a liderar. É bom funcionário? Entregou resultados consistentes? Parabéns, agora você foi promovido a líder! E agora? Prêmio? Consequência? Ou caos total?

Em minha primeira oportunidade de liderança, aos 23 anos e com um time de 60 pessoas, meti os pés pelas mãos. Achando que sabia de tudo e que minha autoconfiança e autoestima seriam suficientes para comandar a equipe toda, errei feio. Achava que liderança trazia consigo apenas a autoridade. Afinal agora como líder, podia impor minhas vontades e colocar todos para trabalhar ao meu bel-prazer. Liderar estava ligado a mandar e todos obedecerem. Pobre de mim. Equipe trabalhando sempre sob pressão, infeliz e distante. Sem qualquer conexão e esforço em vão. Lição aprendida!

Erro crasso e comum em organizações é promover pessoas que executam muito bem suas tarefas sem se atentar que a próxima função ou desafio exigirão habilidades diferentes.

Quantos bons garçons não se tornaram bons maitres? Quantos bons cozinheiros não se tornaram bons chefs de cozinha? Ou quantos bons destaques dos times deixaram de se tornar bons líderes?

Assim como a teoria da evolução das espécies de Charles Darwin, nos tornarmos uma versão melhorada de nós mesmos parece ser algo muito comum. Afinal, ninguém quer ser pior, nem como pessoa, nem como profissional. Ninguém quer ocupar posições inferiores nas organizações ou ganhar um salário menor.

Todos sempre queremos algo melhor! Mas...

O potencial de trabalho futuro se baseia nas habilidades e experiências acumuladas evidenciadas pelas realizações do passado, pela capacidade de aprender novas habilidades e pela disposição de lidar com tarefas maiores, mais complexas e de qualidade mais elevada.

É aí que mora a tão sonhada promoção!

Ainda é muito comum usarmos organogramas onde o líder está no topo da pirâmide e todos os demais embaixo, atuando para servi-lo. Isso cria uma falsa sensação de poder. E quando pessoas sem preparo assumem essa função, pode ser catastrófico para o bem-estar do time ou das organizações.

Equipes deveriam ser organizadas à semelhança da figura de Atlas, titã da mitologia Grega, condenado a carregar o mundo sobre seus ombros. Com líderes na parte inferior do organograma, dando suporte e empurrando todo o time para cima.

Encontramos por aí muita gente sendo promovida para liderar times como consequência de um bom trabalho realizado, mas sem o suporte necessário da direção ou superiores e, principalmente, sem o entendimento correto do que isso representa e das competências comportamentais que serão necessárias para exercer a nova posição.

Quando assumimos uma posição de liderança, não estamos dando um próximo passo além do nosso último cargo. Mas sim, dando uma guinada completa em nossas funções. Deixamos de cuidar de nossas carreiras para cuidar da carreira dos outros.

Ganhamos a oportunidade de devolver às pessoas aquilo que recebemos. Compartilhar conhecimento e dividir para somar. Liderar tem a ver com dar e não com receber. Tem a ver com fazer todo o bem possível!

O bônus de uma promoção para um cargo de liderança pode até ser um salário maior. Mas o ônus e a responsabilidade disso tudo é ter de abrir mão de nossas individualidades em prol do coletivo. É ter a capacidade de ascender e despertar o fogo dentro das pessoas, ao invés de ser o cara que apaga incêndios. É ter a consciência de abrir mão do seu espaço para ceder espaço aos outros. Deixar sua carreira de lado para que a carreira de outros floresça.

Não há espaço para egos! Nunca, jamais, em tempo algum. É preciso ter a clareza de que quando o time ganha, foram eles que fizeram. E quando o time perde, é preciso ser o primeiro a chamar a responsabilidade para si.

Na cultura patriarcal e arcaica de muitas organizações, ainda encontramos líderes sem qualquer empatia ou preocupação pelos interesses alheios. Ainda é muito comum encontrarmos líderes que criam muros para o crescimento do seu time ao invés de criar pontes e pavimentar os caminhos do desenvolvimento.

Ainda encontramos líderes que gastam todo seu tempo com os poucos e maus funcionários, ao invés de investir tempo na maioria, os bons funcionários. Pois sempre há gente disposta a fazer o bem e fazer bem feito. Líderes que punem ao invés de corrigir. Que bloqueiam ao invés de incentivar.

O desafio de formar times tem começo, meio, mas não tem fim. É como um jogo de xadrez em que precisamos colocar as peças certas nos lugares certos. Antes de escolher o próximo líder do seu time, não pense em suas capacidades técnicas ou desempenho passado. Pense no quanto ele está disposto a se doar para que todo o time brilhe e na sua abertura para viver uma nova carreira. Uma carreira dedicada ao bem-estar e felicidade das pessoas. O resultado positivo será consequência disso tudo.

#EMFRENTE!


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