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Como desenvolver a Resiliência em um cenário de crise?

Como desenvolver a Resiliência em um cenário de crise?
Cintia Suplicy
jul. 25 - 7 min de leitura
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Muitas pessoas acreditam que o mundo VUCA (Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo), criado pelo exército americano em meados de 1990 para descrever o cenário pós Guerra Fria, deu lugar ao mundo BANI durante o cenário pandêmico. Mas o termo BANI, criado pelo antropólogo futurologista Jamais Cascio, ficou conhecido em seu artigo de 2018, "Encarando a Era do Caos", e que ainda pode explicar o estado atual do mundo: Frágil, Ansioso, Não Linear e Incompreensível.

Para mim, o termo que melhor explica o nosso cenário seria uma mistura dos dois, algo como um "VUCABANI".

Se vivemos em um mundo Volátil, Incerto, Complexo, Ambíguo, Frágil, Ansioso, Não Linear e Incompreensível, a construção da Resiliência tornou-se indispensável no âmbito organizacional e em todos os outros contextos da vida. Ela é uma das competências principais da Liderança Humanizada e os líderes precisam estar preparados tanto para desenvolver seus próprios recursos internos para lidar com situações adversas, como ajudar a empresa e suas equipes na construção da Resiliência.

Um conceito bem conhecido pela maioria de nós sobre o termo, é aquele que vem da física, adaptado para a psicologia, que em seu conceito figurado, significa "capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças" (Oxford Languages). Acrescento que além de nos adaptarmos facilmente, nós retornamos ainda melhores. Com cicatrizes, mas muitos aprendizados.

Mas muito se fala em Resiliência, da importância dela em todos os contextos da vida e pouco se conhece sobre como construí-la.

Karen Reivich, PHD e diretora dos programas de treinamento do Centro de Psicologia Positiva da Universidade da Pensilvânia e expert em resiliência e Andrew Shatte, identificaram 7 fatores concretos e mensuráveis (Questionário do Coeficiente de Resiliência-RQ-Test) para desenvolver a resiliência: administração das emoções, controle dos impulsos, otimismo, pensamento flexível, empatia, autoeficácia e exposição.

- Administração das Emoções: diz respeito a como os indivíduos conseguem lidar e compreender as suas diferentes emoções. Ser resiliente não é estar imune a emoções desagradáveis, mas reconhecê-las, acolhê-las, parar para observá-las, entender que fazem parte do processo de qualquer crescimento e lidar com a adversidade no momento em que estiver preparado (a) para isso. Todas as emoções importam. Elas têm um sentido de existir, normalmente para nos proteger. Não devemos ignorá-las, mas entender porque estão ali.

- Controle dos Impulsos: aprendendo a lidar com as emoções, já avançamos para o próximo passo, que é controlar nossos impulsos mais primitivos. Nossa tendência é reagir às situações. Cada emoção desperta em nós uma reação muitas vezes automática. E para cada reação existe um resultado. Quando trazemos as emoções à luz da consciência e conseguimos parar um instante para analisá-las, os impulsos tornam-se mais fáceis de serem controlados. Uma importante intervenção é a prática da atenção plena, que nos permite entrar em um estado de presença e nos auxilia a controlar nossos impulsos e a sair do modo automático.

- Otimismo: desde que o Psicólogo Americano Martin Seligman desenvolveu a teoria do Otimismo Aprendido, uma nova visão, com bases científicas sobre o otimismo, veio à tona. O otimismo não é acreditar que algo bom pode acontecer, mas ter um olhar mais positivo (e realista) sobre a vida, o que gera o movimento necessário para pensar em soluções diversas para os desafios. Enxergar o mundo com um olhar otimista é entender que as coisas são passageiras, isoladas e que podem mudar (desde que exista ação). Mesmo o otimismo não garantindo resultado, ele traz mais bem-estar, produtividade, criatividade e melhora a nossa saúde física e mental. O otimista enxerga a adversidade como algo natural que vai gerar algum crescimento.

- Pensamento Flexível: ter a mente aberta e flexível nos permite ampliar a nossa visão e a nossa capacidade de solucionar problemas, pois aumenta a nossa criatividade e a possibilidade de gerar várias maneiras diferentes de lidar com as situações. Pessoas com pensamento flexível consideram várias perspectivas para analisar um problema, não desistem no primeiro obstáculo nem desanimam tão facilmente, pois sabem que sempre existe uma outra forma de fazer as coisas.

- Autoeficácia: a autoeficácia tem a ver o quanto nos concentramos em nossos aspectos positivos para lidar com as adversidades, tendo a consciência de nossos pontos fortes e fracos. Utilizar o que já temos de bom é funcionar no nosso melhor e consequentemente, obter melhores resultados. Temos a tendência a nos concentrar no que não funciona e no que precisamos melhorar e esquecemos o que já está bom e como podemos utilizar este nosso lado a nosso favor.

- Empatia: a empatia, que é a capacidade de olhar o mundo com os olhos do outro, percebendo e respeitando suas referências internas, nos permite fortalecer as nossas conexões e aumentar a nossa rede de apoio, importante para enfrentar as adversidades. A construção de relações positivas que se dá através da prática da empatia, aumentan o nosso nível de bem-estar e traz segurança psicológica às equipes, que sabem que têm alguém em quem confiar e com quem podem contar.

- Exposição: este fator diz respeito a nossa capacidade de sair da nossa zona de conforto, de assumir riscos, de estarmos abertos ao novo. Enxergar as adversidades e fracassos como algo normal, que faz parte do crescimento, é ter mais confiança para agir, mesmo que no fim, não se alcance o que deseja ou as coisas não saiam como planejadas. Como dica, analise o que te aconteceu e liste uma série de aprendizados que obteve com a situação.

 

Agora que já conhecemos os fatores que impulsionam a resiliência, te convido a direcionar seu olhar ao âmbito organizacional e observar como pode aplicar todos estes fatores, um a um, para lidar com cenários de crise. 

Se você já percebeu, não difere muito do que as empresas já vêm tentando aplicar, muitas vezes sem sucesso, nas empresas. A maioria dos fatores acima já são apontados como importantes competências de um líder. A diferença é que eles, juntos, fazem parte de um método científico e passíveis de aplicação prática.

Espero que tenha gostado do artigo!

 

Cintia Suplicy

Psicóloga, Designer de Organizações Positivas, Mentora de Felicidade e Autenticidade


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