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Como ser um bom líder na crise?

Como ser um bom líder na crise?

Alexandre Ullmann, diretor de RH do LinkedIn, destaca liderança inspiradora e apresenta ações práticas para ser um bom líder na crise.

 

Um tema que sempre foi discutido no mundo corporativo é o da liderança. Falamos da diferença entre ser um líder e um chefe, falamos de liderança servidora, liderança colaborativa. Entretanto, um líder só é reconhecido, quando faz uma liderança inspiradora.

Ser inspirador é bastante amplo e subjetivo, pois as pessoas se inspiram por coisas diferentes. Porém, há características que todo o líder inspirador demonstra e que é reconhecida pelos seus liderados e que ficam mais evidentes em tempos de crise.

Com o mundo globalizado, muitos líderes têm equipes em todos os lugares do Brasil ou do mundo, trazendo para a discussão a liderança remota e como exercê-la de forma bem feita e inspiradora.

Uma pandemia assolou o mundo e todos os líderes se encontraram com o mesmo desafio: liderar remotamente em meio uma crise que gera insegurança a todos, inclusive para o líder. Entretanto, a dificuldade seria liderar quando não se fez uma preparação para isso e em um ambiente de tensão por causa da pandemia em si, por causa das dificuldades que os funcionários encontram em relação a gestão de sua vida pessoal, alguns com filhos em casa, outros precisando cuidar de idosos, funcionários sem estrutura emocional para o isolamento, ou seja, uma lista bastante diversa de novas situações para todos.

Então, como ser um bom líder na crise? Não tenho a pretensão de dar nenhuma receita mágica, até porque cada empresa tem uma cultura e uma realidade diferente, cada pessoa reage de maneira diferente. E é justamente em torno disto, das diferenças de cada um, que um bom líder pode atuar. Gostaria, então, de dar algumas ideias que podem ajudar um líder a obter o melhor de sua equipe durante este período de crise em muitos não podem estar fisicamente na empresa. 

Reconheça que estamos passando por momentos difíceis.

Entretanto, não fique dando tanta ênfase ao assunto e olhando todos os aspectos negativos, endossando as notícias que estão na mídia constantemente. Reconhecer que a crise existe é necessário, ficar replicando o quão difícil tudo será, somente vai piorar o clima da equipe e o bem-estar individual.

Tenha empatia e reconheça as diferenças.

Cada pessoa tem uma realidade única. Tem gente que mora sozinho, tem gente que mora com a família em um espaço pequeno, tem gente que tem dificuldade no acesso a internet. Há pessoas que estão sofrendo mais do que outras com o distanciamento social, outros não têm uma estrutura adequada para trabalhar de casa. Enfim, há diversas configurações e situações que uma pessoa pode passar. Lembre-se da diversidade: nem todos são iguais a você. As pessoas têm necessidades distintas e passam por problemas diferentes. Faça o exercício de se colocar no lugar do outro.

Tenha conversas abertas e francas com sua equipe.

Para ter mais empatia e entender melhor a realidade de cada um, pergunte como eles estão. Genuinamente, se interesse em saber sobre a saúde mental de cada um e o que poderia ser feito para melhorar a situação. Entenda como cada um está passando pelo isolamento e quais as dificuldades de cada um.

Seja flexível a novos acordos.

Se um de seus funcionários precisa lidar com algum assunto doméstico, seja qual for – ajudar o filho com as aulas online, cozinhar, cuidar dos filhos, cuidar de um parente – combine com seu funcionário horários flexíveis. Permita que ele ajuste o horário de trabalho de modo que ele consiga lidar com as tarefas domésticas.

Esteja disponível.

O silêncio pode acabar com o bem-estar da sua equipe. Os funcionários buscam clareza e reafirmação de que tudo ficará bem.

Quando os funcionários ficam muito tempo sem ouvir notícias do gestor, principalmente trabalhando de casa, aumenta a ansiedade e o medo.

Quando um líder se mostra presente,  os funcionários sentem mais segurança e entendem que podem ter um apoio constante. Há várias formas de estar presente e uma delas, é marcar algumas reuniões além das reuniões habituais de time. Como funciona? Marque 30 minutos por dia com todos os seus funcionários, porém deixe a participação deles como opcional. Aparece na reunião quem quiser e quem não quiser ou não puder participar, não precisa nem justificar. Essa reunião não tem pauta -  o foco é falar sobre o assunto que as pessoas quiserem. Isso mostra que as pessoas não estão sozinhas e sempre terão esse horário garantido para falar com o líder. Isso diminui a ansiedade e aproxima mais as pessoas.

Foque no que realmente importa.

Há uma tendência de sempre exigir um pouco a mais dos funcionários. Tente fazer uma análise de quais são realmente as atividades essenciais que cada um de seus funcionários precisa executar. Não dê importância para aquelas atividades que seriam além do esperado.

Nesse momento em que as pessoas já estão com uma preocupação extra, valorize o essencial.

O importante é entender como é possível adaptar as ideias acima de acordo com a cultura da empresa. São atitudes muito simples, mas que podem fazer a diferença para os funcionários. Essa proximidade pode diminuir a ansiedade, e promove conversas mais transparentes entre as pessoas. 

Competências de liderança são aprendidas como todas as outras competências e quando acrescentadas de um olhar mais humano e compassivo, a tão desejada liderança inspiradora é mais fácil de ser alcançada.

 


Alexandre Ullmann é  diretor de RH do LinkedIn

 

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