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É preciso mudar a mente

É preciso mudar a mente
Iverson Teófilo dos Santos
dez. 17 - 5 min de leitura
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Dia atrás, durante uma aula, eu desafiei meus alunos a tentar compreender e comparar os modelos de liderança do passado com os que são necessários para os dias atuais. Todos os presentes na sala buscaram nas lembranças como eram as relações entre líderes e liderados nos mais diversos ambientes sociais. Alguns falaram como os pais lideravam a família, com mão firme e pesada. Outros se lembraram das figuras autoritárias dos professores e outros ainda falaram de experiências profissionais desagradáveis com os “chefes”, que seguramente hoje seriam classificadas como assédio moral. Mesmo tendo várias experiências diferentes, todos concordaram que os modelos de liderança devem se adaptar ao seu tempo. Seria impossível liderar da mesma forma do passado.

A primeira característica necessária ao líder do novo milênio é a compreensão do seu contexto cultural. Os dias atuais são tempos diferenciados e neste sentido, se faz necessário saber lidar com novos modelos mentais.  “As instituições sociais modernas são, sob alguns aspectos, únicas — diferentes em forma de todos os tipos de ordem tradicional" (GIDDENS, 1991, p 9). Uma experiência de sucesso da FORD do início do século com  toda certeza, não se mostrará eficiente como método de gestão para uma indústria automobilística dos dias atuais. A transição para a pós-modernidade trouxe novas formas de visão de mundo, bem como, novas expectativas com relação a tudo.

"Se o mundo não mudar, nós também não precisamos mudar. Mas o mundo muda o tempo todo. A tecnologia, os mercados, os clientes e as equipes mudam as regras do jogo o tempo todo" (OWEN, 2012, p. 224).

O líder precisa lidar com novos modelos mentais, principalmente na sua relação com seus liderados. "Os padrões de dominância e deferência são agora radicalmente diferentes dos adotados 100 anos atrás, ao menos no ocidente" (KALLERMAN, 2012, p. XIII). Percebe-se uma crise na relação entre líderes e liderados, crise esta que coloca em “xeque” a máxima que líderes devam liderar e liderados devam concordar.  Os seguidores do presente tempo são muito mais resistentes, possuem mais força e independência e na maioria das vezes, seguir ou não o líder é uma decisão de conveniência do liderado. Não há mais espaço para os “chefes”.

Durante muito tempo a liderança foi exercida por meio do poder, sendo este, a capacidade de alguém obter tudo de outrem, usando pra isso inclusive a força, se necessário. Com base na posição hierárquica poderia se forçar alguém a se submeter, mesmo contra a própria vontade. Essas relações rígidas, de cima para baixo, tornaram-se obsoletas e ultrapassadas não respondendo aos desafios de novos tempos.

Já em 2010 em artigo a Harvard Business Review indicava que "o modelo hierárquico simplesmente não funciona mais". É urgente a necessidade de repensar esses modelos e compreender que o líder só obterá sucesso através da influência, sendo esta, a capacidade de persuadir o liderado. "Sem influência, não há sucesso" (MAXWELL, 2007, P. 10). O liderado segue porque quer seguir e não porquê é obrigado. Atualmente o liderado está em busca de um sentido para que possa seguir alguém. "A busca do indivíduo por um sentido, é a motivação primária em sua vida" (FRANKL, 2008, p. 124). Não se pode imaginar que em pleno século XXI pessoas sigam alguém apenas pela necessidade de sobrevivência, sem que possam estabelecer um raciocínio lógico baseado em respostas que produzam sentido nas suas vidas.

"Na organização do século XXI, o homem não mais aceitará ser tratado como mera peça de uma engrenagem" (CAVALCANTI; CARPILOVSKY; LUND; LAGO, 2009, p. 17).

Mais do que a sobrevivência o que motiva o homem neste momento é um trabalho com um sentido maior, um objetivo maior e o líder não poderá liderar sem compreender isso.

Desta feita, ter uma liderança de sucesso passa por entender e compreender os valores que façam sentido aos liderados. Tentar conciliar isto com os objetivos gerais da empresa será muito eficiente para motivar. O líder que consegue mostrar ao liderado que o objetivo da empresa contribuiu com os  seus valores pessoais, conseguirá sempre um maior engajamento e por consequência, uma liderança mais produtiva.

Lembre-se sempre, liderar é influenciar e não empurrar.

 

Referências:

CAVALCANTI, Vera Lucia; CARPILOVSY, Marcelo; LUND, Myrian; LAGO, Regina A. Liderança e Motivação. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2009

FRANKL, Viktor E. Em busca do sentido: um psicólogo no campo de concentração. Petrópolis-RJ: Vozes, 2008.

GIDDENS, Anthony. As consequências da modernidade; tradução de Raul Fiker. – São Paulo: Editora UNESP, 1991.

KELLERMAN, Barbara. O fim da liderança. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012.

MAXWELL, John C. O talento não é tudo. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2007.


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