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Emoções: o que são, como lidar e para que servem?

Emoções: o que são, como lidar e para que servem?

Percebeu o quanto em nosso dia a dia, principalmente no trabalho, onde passamos maior parte do tempo, temos desafios nos quais nossas emoções são disparadas e podemos não conseguir lidar adequadamente com elas? Aprendemos todas as técnicas envolvidas em nossa profissão e não aprendemos sobre nossos pensamentos, sentimentos e emoções e comportamentos que advém de tudo isso.

Já observou o quanto estudamos sobre várias coisas do mundo e pouco estudamos sobre nós mesmos? Aprendemos sobre matemática, física, química, português, como usar o computador, como tocar um instrumento, dentre outras coisas, e poucos estudam sobre si mesmo.

Acredito que todos deveríamos aprender sobre como funcionamos. E as emoções são algumas das peças deste sistema. Elas estão presentes em nós e seu estado natural é o de oscilação entre agradáveis e desagradáveis conforme a interpretação do evento ou situação vivida pela pessoa. As emoções desempenham papéis muito importantes, inclusive para a nossa sobrevivência, como o medo, que ajuda a nos proteger dos perigos da vida. Elas são estados temporários de alta intensidade. A intensidade pode variar de completo sofrimento ao estado de completo prazer.

Imagine um momento em que você espera o resultado de uma prova que fez, para a qual você estudou por meses. Ao receber o seu resultado, se for positivo, sentirá alegria por ter se esforçado e conseguido. Por outro lado, se for negativo, provavelmente sentirá raiva por ter se esforçado e não ter alcançado, indo depois para a tristeza, que pode te colocar para refletir o que fez de errado, se estudou de forma inadequada ou se o seu esforço foi insuficiente.

Observe que as emoções te trazem mensagens para você pensar, frear ou acelerar seus comportamentos. Se você compreender melhor as emoções, porque elas são disparadas, com qual objetivo, que efeitos causa em seu corpo, que comportamentos disparam ou inibem, isso pode te ajudar a aprender a ter uma melhor regulação emocional, permitindo que você lide melhor com as situações, tome melhores decisões e ações, e se relacione melhor com os outros.

Graças às emoções, podemos nos relacionar melhor uns com os outros, pois quando elas acontecem, nosso estado físico tende a mudar. E isso causa uma aproximação ou afastamento social, uma ação e imobilização. Por exemplo, se uma pessoa está atacando a outra verbalmente, ao ver a reação de tristeza do atacado, a pessoa que ataca tende a parar o ataque.

Três principais funções podem ser destacadas para as emoções: ajuste social e aprendizagem, motivação e comunicação. Como no mundo virtual em redes sociais as trocas de mensagens tendem a ser em forma de texto, assíncrona e sem ver a reação do outro, os haters tendem a atacar as pessoas sem cessar, pois não têm o feedback visual do atacado se sentindo triste, demonstrando isso em sua expressão corporal devido ao ataque. Isso faz com que quem ataca não se ajuste socialmente, não tenha a motivação de parar e isso devido a comunicação ser feita por menos canais, neste caso, apenas textos.

Às vezes podemos confundir emoção com sentimento. A emoção é mais natural e visceral. O sentimento é outro estado afetivo que envolve o pensamento, através do qual interpretamos subjetivamente a emoção que vivenciamos. O sentimento é mais duradouro que a emoção. Ao ver algo que te faz lembrar de um cachorro de estimação que você perdeu, você sentirá a sensação da perda. Observe que para acontecer este sentimento você pensou a partir da visualização de um objeto que te lembrou o cachorrinho, e a partir daí surgiu o sentimento que se conectou com a emoção da tristeza que vivenciou com a perda há um tempo.

Existem várias linhas de pensamento que categorizam as emoções em diferentes quantidades e nomes diferentes. Uma das que mais se repetem entre os estudiosos são 4 emoções primárias básicas, que são encontradas mesmos em bebês. São elas: medo, tristeza, raiva, alegria. Nesta forma de pensar e categorizar as emoções, as demais emoções são consideradas emoções secundárias, pois em geral são aprendidas socialmente a partir das emoções primárias no convívio com outras pessoas.

De forma geral, para lidar melhor com nossas emoções e regular nossos comportamentos, podemos nos observar e nos questionar pensando nas seguintes perguntas para cada uma das emoções (alegria, medo, raiva e tristeza):

  1. O que faz disparar suas emoções?
  2. Que situações faz você ter cada uma delas?
  3. Você percebe as reações que as emoções causam em seu corpo?
  4. Como sua voz, postura e fisionomia mudam quando cada emoção acontece?
  5. Você compreende suas emoções e dos outros?
  6. Percebe que pensamentos disparam?
  7. Nota como se comporta?

Vamos explorar agora cada uma das quatro emoções. Explicaremos o que dispara a emoção, sua função, consequência e como lidar. A ideia é ajudar a reconhecer a emoção para que você possa começar a perceber a emoção sendo disparada para que possa controlar melhor o seu comportamento, agindo ao invés de apenas reagir, perante as situações.

De forma resumida, segue a explicação de cada uma das quatro emoções básicas que temos:

Tristeza: normalmente disparada pela perda de algo ou alguém. Ela tende a nos fazer isolar dos demais e entrar em um modo reflexivo. Esse estado pensativo pode nos levar a encontrar soluções e aprendizagens aumentando nosso repertório em como lidar com as situações e gerando autoconhecimento de nossos valores e crenças.

Medo: sua principal função é nos proteger de perigos. Ao nos depararmos com uma situação que a avaliamos com potencial de nos machucar, tendemos a parar de agir e até mesmo fugir da situação. O medo é umas principais emoções que ajudou na preservação dos seres humanos na terra. O medo nos faz perceber as ameaças.

Raiva: graças à raiva, ganhamos força e ímpeto de entrar em ação, principalmente de lutar contra um possível inimigo. Ela é disparada quando sentimos injustiça, ao sentir que não conseguimos vencer um obstáculo. A raiva é uma emoção que, ao ser bem gerenciada, pode nos ajudar a ter coragem para fazer o que precisa ser feito, como ganhar competências para vencer algum obstáculo.

Alegria: quando interpretamos um evento como positivo, sentimos alegria. Essa emoção é a que todos buscamos e mais almejamos sentir. Curiosamente é uma das menos duradouras. Mas podemos criar rituais e eventos para sentir mais essa emoção, como por exemplo exercitar a generosidade e gratidão.


Alegria

Gatilho - O que dispara

Quando passamos por um momento que consideramos positivo e podemos demonstrar, temos alegria. Ao passar no vestibular depois de ter se esforçado estudando bastante. Ao ver seu time vencer o campeonato. Quando conquista seu par amoroso. Ao receber um elogio de uma pessoa que respeita pelo trabalho que entregou. Quando saímos de uma situação que estava bem desafiadora e temos um alívio, como estar perdido no deserto em busca de água e sombra e então você encontrar um oásis com água e uma bela de uma árvore. O nascimento de um filho. Ser promovido no trabalho após ter se esforçado em um grande projeto. Ser reconhecidos pelos colegas de trabalho como competente e uma pessoa que trabalha bem equipe.

Função

A alegria conecta as pessoas, inclusive amorosamente, e tudo isso ajudou e ajuda a perpetuar a espécie. Se você chegar na recepção de um lugar e tiver duas pessoas para te atender, uma está de cara feia e fechada e a outra sorridente e alegre, por qual das duas pessoas você preferiria ser atendido? Provavelmente sua resposta será pela sorridente e alegre.

No seu trabalho, o que prefere? Trabalhar com pessoas alegres ou tristes? Ao ter profissionais alegres a tendência é que a conexão entre os colaboradores aconteça mais naturalmente e haja mais trabalho em equipe e pessoas com mais capacidade de solucionar problemas.

Consequências

Existem diversos benefícios que a alegria nos traz. Dentre eles, podemos citar a diminuição de hormônios do estresse e risco de AVC. O aumento de laços entre as pessoas, curiosidade, resiliência, otimismo, empatia, vigor, altruísmo, saúde física, na capacidade de resolver problemas e aprender, memória e imunidade.

Cuidado com o excesso de alegria. Ela pode te trazer consequências inadequadas ou desagradáveis. Quem tem excesso de alegria pode se tornar disfuncional, tento a probabilidade de aumentar a imprudência e exposição a risco, expondo-se mais ao álcool e sexo inseguro, infringindo leis e invadindo espaços. Busca constante por prazer. E ao se sentir extremamente feliz, pode levar a pessoa a não ter motivação para melhorar. A busca excessiva por alegria pode gerar a sensação de solidão por buscarmos ganhos pessoais em detrimento dos outros podendo gerar o afastamento das pessoas ao seu redor.

O funcionamento natural do estado afetivo de suas emoções é flutuante. E isso nos ajuda a valorizar cada uma delas. Valorizamos mais a alegria por já ter experimentado a tristeza, medo e a raiva. Por isso, viver em função de qualquer é emoção pode ser disfuncional. O adequado é sentir todas as emoções, compreendê-las e aprender a lidar com cada uma para que possamos aprender, evoluir e não exagerar na duração com ressentimento desagradável das emoções que consideramos ruins ou negativas, e tampouco abusar na busca constante por alegria extrema, pois ambos podem nos levar a resultados indesejados.

Como lidar

Encontrar pontos positivos e aprendizagem em momentos desafiadores podem nos levar a superar mais rapidamente as situações ruins. Isso pode nos tirar do desagrado e até mesmo levar a estados emocionais mais alegres.

O autoconhecimento pode te ajudar a focar em seus pontos fortes e aumentar a sua autoconfiança e a ter clareza de como você pode se comportar se desenvolvendo, ajudando a si mesmo e as pessoas que te cercam. E ao ajudar os outros pode nos levar a desenvolver a reciprocidade através da gratidão, aumentando por consequência a sensação de acolhimento, orgulho, esperança e bem-estar.


Raiva

Gatilho - O que dispara

A raiva é normalmente disparada quando nos deparamos com um obstáculo que nos frustra ou impede nossas ações. Inicialmente julgamos como instransponível, mas que normalmente, depois de pensar, pode ter uma ação para resolver. Ao ver uma injustiça acontecer, tendemos a sentir raiva.

Imagine uma situação na qual você está em busca de uma promoção em seu trabalho. Para isso, tem se esforçado, aprendido coisas novas, entregado tarefas se dedicando a melhorar os resultados. E do seu ponto de vista, tem feito tudo que precisa para receber a almejada promoção. Mas no momento das avaliações, vem a frustrante surpresa, além de você não ter sido promovido, um colega de trabalho que você julga menos competente que você, foi promovido no seu lugar. Isso pode disparar em você a raiva. Raiva de não ter sido promovido, do chefe, de si mesmo por pensar que não se esforçou de forma adequada.

Ela é uma emoção que tende a nos colocar em ação para mudar a situação vivida, fazendo-nos realizar atos de coragem para superar obstáculos. Esse movimento que a raiva gera pode ajudar a diminuir injustiças sociais, como discriminação e preconceitos, mas também pode levar a conflitos e guerras, por despertar vingança e ódio.

A raiva é a emoção menos aceita socialmente devido às suas consequências comportamentais quando não reguladas adequadamente. Uma pessoa com raiva pode agredir alguém que julgar incapaz de vencê-lo, seja fisicamente ou psicologicamente. Quando não podemos revidar a raiva na pessoa que a causou, como um chefe, por exemplo, podemos descontar essa emoção em pessoas próximas que nos relacionamos, inclusive por acreditar que, ao nos amar, essas pessoas suportarão nossos comportamentos raivosos.

Função

A espécie humana sobreviveu  graças a raiva e ao medo. Ela e o medo tiveram papéis importantes nisto. O medo que pode nos fazer evitar ou fugir e a raiva pode nos fazer enfrentar as situações gerando confronto e apoiando a nossa defesa. Pode nos levar a lutar contra inimigos levando a comportamentos agressivos e violentos.

Hoje, as principais funções da raiva são em apoiar que aconteça a justiça social, minimizando preconceitos e discriminações. Ela nos torna ativos perante as situações ajudando-nos no desenvolvimento pessoal. Ela dispara a coragem para agir levando a aumentar nosso vigor, resiliência e perseverança com o objetivo de transformar as situações e atingir metas mudando nossas vidas.

Na busca pela justiça, a raiva tem o papel de ajudar a melhorar a sociedade tornando-a menos injusta, através da luta pelos direitos humanos. A luta e a resistência geradas pela raiva podem ser pacíficas, como foram os casos de Mandela e Ghandi.

Consequências

Quando sentimos raiva podemos agir de maneira forte contra o evento ou agressor causador desta emoção. Existem situações adequadas para que nossa ação seja desta forma, como por exemplo em um caso de sermos atacados por um animal ou quando um agressor ameaça nossas vidas e conseguimos avaliar rapidamente que lutar contra é um instinto de sobrevivência.

Por outro lado, em uma briga de trânsito, deixar a raiva ser expressa pode ter resultados desastrosos. Então regular a raiva em uma fechada no trânsito é uma boa estratégia, é contar até dez, esperar a cabeça esfriar e se desculpar, até que os envolvidos acalmem suas emoções e consigam dialogar e resolver o conflito. Deixar o outro liberar sua raiva através da fala e depois pedir desculpas, tende a levar a uma solução pacífica e fazer com que o agressor se acalme e também te peça desculpas.

Quando estamos com raiva tendemos a decidir de forma enviesada, com menos critérios e tendendo a ver somente a nossa perspectiva, o que nos limita em encontrar soluções diferentes para os problemas vividos. E neste sentido, podemos nos tornar preconceituosos, injustos e agressivos com as pessoas ao redor.

Como lidar

Aprender a lidar e regular seu comportamento quando sente raiva é importante para que possa se relacionar melhor consigo mesmo e com as pessoas que o cercam. Pessoas que tem comportamentos raivosos em situações corriqueiras tendem a serem evitadas pelos outros. Então aprender a lidar com as frustrações geradas pela vida pode te ajudar a se autorregular melhor perante a raiva.

Vale à pena desenvolver nossas capacidades de gestão emocional, pois passamos a perceber nossas emoções e encontrar formas de lidar mais adequadas evitando assim, resultados sociais indesejados. Uma das formas para desenvolver esta habilidade é prestar atenção aos eventos que podem te disparar a raiva. Ao perceber e entender essas situações, você pode criar estratégias que te ajudem a lidar melhor com a situação antes que a emoção te domine. Outra forma é evitar a situação que te causa raiva até que você compreenda e desenvolva estratégias para lidar e evitar consequências desagradáveis.

A raiva pode nos querer fazer resolver as coisas de forma impensada. Percebendo sua raiva, busque se afastar do evento ou de quem te causou a emoção. Faça algo que tire sua atenção do que aconteceu, como treino físico, relaxamento ou meditação. Após desacelerar e esfriar a cabeça, pense, decida e aja para resolver o problema de forma mais calma, pois se não resolver a situação, quando uma nova situação semelhante que te dispara a raiva acontecer, essa emoção poderá vir mais forte e menos controlável.


Tristeza

Gatilho - O que dispara

Imagine que você vem se dedicando e fazendo um ótimo trabalho e terá uma reunião para apresentar estes resultados para os diretores da empresa. E por algum motivo, você se atrasa e perde a reunião e coloca a perder sua possível promoção. Um evento deste gênero com certeza te deixará triste. A tristeza também é disparada pela perda de algo ou alguém que você considera importante. A perda de um ente querido, por exemplo. Isso pode te levar a se entristecer, a ter vontade de chorar, a se recolher para refletir. A tristeza pode até vir acompanhada pela raiva por não ter conseguido o que desejava.

A tristeza é a emoção que mais buscamos evitar. Mas ela tem papéis importantes em nossas vidas. Pode nos colocar para refletir sobre o que aconteceu. E ao refletir, podemos melhorar nossas próximas ações e aprender. Ao pensar sobre a perda de alguém, percebemos o que valorizamos na pessoa querida e aprendemos sobre a pessoa e nós mesmos.

Essa emoção é disparada principalmente pela perda de algo ou alguém ou pelo sentimento de fracasso em algo. A sensação de perda de uma oportunidade ao não passar em uma entrevista. O fracasso por não ter conquistado um cliente. Rejeição de um par romântico ao encerrar a relação.

Função

A tristeza pode nos colocar para refletir e aprender sobre a situação de perda ou sensação de fracasso, fazendo-nos compreender o que aconteceu, entender o que valorizamos e buscar criar estratégias para lidar com a emoção no futuro. Essa emoção pode ajudar cessar a agressão de alguém, pois o agredido demonstra fisicamente ao agressor sinais de tristeza que podem fazer a agressão parar. Ao se sentir triste há a diminuição do processo cognitivo e aumento do foco no assunto que entristeceu com o objetivo de aprender com isso.

Essa emoção apoia na construção de vínculos sociais, pois, ao ver alguém triste, tendemos a querer ajudar essa pessoa, sendo altruístas e empáticos. A intenção é diminuir o sofrimento das pessoas. Quando nos mostramos tristes aos outros, eles tendem a ser mais compreensivos e menos agressivos conosco. Então a tristeza busca reconstruir o bem-estar e relações rompidas.

Em resumo, a emoção tem duas principais funções atualmente: cognitiva (pensar) e social (conectar pessoas). Ao pensar sobre o acontecimento conseguimos avaliar a situação e compreendê-las de forma geral. Por exemplo, ao não conseguir uma promoção almejada depois de se esforçar, por meses, você pode ficar triste e refletir o que fez de errado e melhorar. Na função social, gera empatia e apoio dos outros inibindo comportamentos agressivos das pessoas ao redor.

Consequências

A tristeza pode levar as pessoas a consumirem álcool e outras drogas que as façam sentir menos as sensações desagradáveis. Pode levar a dependência química e a obesidade. E o mais intrigante é que estes métodos para fugir da emoções podem causar ainda mais tristeza, levando a pessoa a reforçarem as sensações desagradáveis da emoção.

Ao nos sentirmos tristes, podemos nos isolar para pensar a respeito do que aconteceu. Mas o que devo fazer ao ver alguém triste? Primeiro, ter a consciência de que nem todos querem ajuda ao estarem tristes, pois querem usar este sentimento para se compreenderem e aprenderem melhorando suas capacidades para lidar com novas situações no futuro. Quando a pessoa se mostra aberta a ser ajudada, uma das melhores estratégias é ouvir o que a pessoa tem a dizer.

No trabalho, os liderados podem ser influenciados pela emoção de seus líderes afetando a performance dos liderados e o clima da equipe. Quando o líder mostra alegria, seu time pode se tornar mais criativo e melhorar seu desempenho. Por outro lado, quando é a tristeza que aparece, o lado bom é que pode fazer com que o time pense analiticamente para resolver problemas. Por fim, podemos dizer que a tristeza nos faz voltar para nós mesmos e ser empático com quem está triste e receber a empatia dos outros quando estamos tristes.

Como lidar

O comportamento natural que temos ao sentir tristeza é afastar do que nos entristeceu, inclusive buscando mudar nosso foco de atenção para atividades que nos deem prazer. Podemos sair, praticar esportes que curtimos, falar com amigos, ver filmes, dentre outros. Isso nos leva a parar a sensação desagradável temporariamente, mas não soluciona a questão.

Uma das formas de lidar com a tristeza é buscar apoio de pessoas que confiamos para conversar sobre o assunto e pensar melhor. Isso pode nos ajudar a ver perspectivas diferentes sobre o mesmo fato. As outras pessoas ao nos ouvirem, podem fazer comentários que nos ajudem a perceber um ponto de vista que não enxergamos, e isso pode nos ajudar a lidar melhor com a tristeza.

O tempo exerce uma função bastante importante na elaboração e superação da tristeza. Perda e fracasso fazem parte da vida. Aprender a lidar com isso é fundamental para que possamos ter mais recursos na próxima vez que passarmos por um evento semelhante. Se por acaso perceber que sua tristeza perdura por muito tempo e não consegue sair dela, procure ajuda profissional.


Medo

Gatilho - O que dispara

O medo é disparado quando avaliamos uma situação como ameaçadora. Essa emoção nos ajuda a preparar para lidar com eventos que ameacem a nossa vida. Ele pode nos travar, como por exemplo alguém gritar com você reclamando de algo que fez de errado no trabalho. E se for muito impactante, gerar consequências incapacitantes.

Pesquisadores, como Gray (1988), encontraram cinco categorias que causam o medo:

  1. Intensidade: barulho alto sem que estejamos esperando
  2. Novidade: primeiro dia de trabalho na empresa
  3. Perigos evolutivos: animais que nos ameaçavam na natureza, mas hoje não ameaçam mais nas cidades, como onças, cobras...
  4. Interações sociais: crítica pelo seu trabalho realizado
  5. Estímulos condicionados: medo aprendido, de feedback, pode ter tido um líder que, quando começou a trabalhar, falava alto e de forma inadequada as comunicações de melhorias para você

Função

O medo, junto com a raiva, é uma das emoções mais importantes que fizeram nossa espécie sobreviver. Principalmente no período em que vivíamos no meio da natureza, cheia de ameaças às nossas vidas, foi o medo que nos protegeu. Então a principal função do medo é a nossa proteção.

Outra função do medo na evolução da espécie foi no estabelecimento de uma ordem social. O líder, em geral, era definido por sua força física. E para estabelecer a ordem do grupo socialmente, os liderados se submetiam ao líder devido ao medo.

Atualmente o medo serve para a preservação de nosso bem-estar. Tem uma curiosidade sobre o medo e o prazer. Acreditava-se que o medo era relacionado apenas a emoção negativa, mas estudos mostram que ele também pode ter relação com o prazer, pois a glândula amígdala no cérebro responsável por disparar o medo é também responsável em parte pelo prazer.

Devido ao medo estar relacionado ao prazer, a indústria do entretenimento cria filmes que geram um medo em intensidade controlada e em condição segura, o que causa prazer em quem assiste. O espectador ao assistir a um filme deste gênero pode ter sensações de prazer e que se começarem a passar do limite, ele pode parar de assistir ao filme.

Essa emoção também pode fazer com que as pessoas estudem mais a respeito de um objeto ou tema que gera medo. Questões políticas podem ser manipuladas para influenciarem votos devido à influência desta emoção.

O medo por ajudar as pessoas a terem mais prudência e tomarem decisões mais criteriosas e pensamento. Isto é, ajuda na avalição de mais possibilidade evitando resultados negativos. O medo pode levar a ansiedade, que na medida adequada, apoia as pessoas a planejarem mais e agirem de forma preventiva aos riscos.

Ao sentir essa emoção a pessoa pode ser motivada a se dedicar mais para evitar fracassar em alguma situação. Por exemplo, o medo de ser criticado em uma reunião de trabalho, ou de não conquistar um novo cliente, pode fazer com que os colaboradores se dediquem a preparar o que precisam com mais critério e detalhes para que os resultados sejam os melhores possíveis.

Consequências

O medo quando é desproporcional ao estímulo, pode se tornar fobia. Por exemplo, medo de barata. Ela é um inseto completamente inofensivo, mas pode gerar fobia aprendida nas pessoas.

Ao sentir medo as pessoas tendem a ficar com músculos tensos e aumentar a velocidade de sua respiração. Podem transpirar e sentir mal-estar e que não está no controle da situação. Os olhos se abrem mais elevando as sobrancelhas. Até o tom de voz pode ser alterado se tornando mais alto podendo acontecer gritos.

O coração acelera o fluxo de sangue é desviado para as pernas e nos preparamos em geral para fugir. Ficamos com o rosto pálido, mãos geladas e frio na barriga devido ao sangue sair das áreas não essenciais no momento do medo e serem levados aos músculos, principalmente das pernas, para que a fuga seja bem-sucedida.

Como lidar

Para regular bem o medo, é importante avaliar se a situação geradora do medo é real ou imaginária, pois em sendo real, dependendo, exige ações imediatas e rápidas. Em sendo imaginária ou aprendida tornando-se fobia, uma estratégia inicial boa é se livrar do causador da fobia pelo menos momentaneamente até que a pessoa aprenda recursos para lidar com essa fobia.

Quando estamos com medo podemos ter como estratégia aprendida que poderá ser fugir, enfrentar ou paralisar. Podemos aprender a regular nossa reação em relação ao medo, e ao conseguir fazer isso com sucesso, o desconforto da emoção diminui.

A forma que lidamos com o medo depende de várias coisas, características da evolução humana, experiências vividas, onde acontece, o contexto e até mesmo a cultura na qual estamos inseridos, se fomenta e aceitas reações ou não.

No trabalho, ao precisar fazer uma apresentação para um grupo grande de pessoa, podemos sentir medo. Como podemos fazer para diminui-lo? Estudando todo o conteúdo que será apresentado e aprendendo tudo que puder. Então planejar e montar o roteiro da apresentação. Treinar sozinha em frente ao espelho. Compartilhar e apresentar para um amigo do trabalho próximo, depois treinar apresentar com algumas pessoas, para que por fim, possa fazer a apresentação final para o grupo grande de pessoas. Você também pode treinar interagir com pessoas desconhecidas nos elevadores, comércios, filas, dentre outros. Essa estratégia pode ajudar você a aumentar sua autoconfiança.


Conclusão

Vale à pena aprender sobre as emoções e regular nosso comportamento a partir delas, pois isso pode nos trazer melhores resultados. As emoções são fontes de dados importantes para vivermos melhor e evoluirmos. Não compreendê-las e nem conseguir se ajustar perante as situações pode ser bastante inadequado nos levando a consequências e resultados indesejados.

Busque aumentar cada vez mais o seu repertório de conhecimento de nossas emoções para ter relações mais agradáveis e positivas tanto pessoais quanto profissionais. Isso pode fazer com que possamos liderar e ser liderados no trabalho gerando consequências positivas para nós, quem nos cerca e as empresas.

Fique atento aos sentimentos no corpo que as emoções te trazem. Que eventos que causaram. Aprenda a desacelerar suas reações e com isso, pensar melhor no que fazer. Aprenda estratégias para lidar com cada emoção e isso te trará mais inteligência emocional.

Seguem algumas perguntas chave que você pode se fazer para ganhar consciência de suas emoções e treinar sua autorregulação:

O que dispara sua emoção?

O que sente no corpo?

Quais são suas expressões faciais, postura e gestos?

O que sente vontade de fazer e dizer?

O que disse e fez?

Quais são os efeitos posteriores da emoção que teve em ti, seu estado mental, emocional, comportamentos, pensamentos, memória e corpo?

Um grande abraço e sucesso em seu aprendizado e autorregulação de suas emoções!


Livro de referência: Manuel de orientação e autodesenvolvimento Emocional

Organizadora: Sonia Maria Guedes Gondim

Autores: Ana Lúcia Teixeira Hirschle, Hannah Dantas Guedes, Jonatan Santana Batista 

Editora: Vetor

Líder Academy
Daniel Mendes
Daniel Mendes Seguir

Bem humorado, gentil, esperançoso, gosta de aprender, compartilhar conhecimento e de conhecer pessoas e lugares. Palestrante, instrutor e consultor de desenvolvimento comportamental. Mestre em Psicologia Organizacional com Foco em Psicologia Positiva

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