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ESG e os desafios da Governança

ESG e os desafios da Governança

Tarcila Ursini e Regina Magalhães destacam o papel da Governança nos novos modelos de negócios de impacto.

 

“… para prosperar no longo prazo, as empresas devem não só gerar rentabilidade financeira, mas também demonstrar como contribuem de forma positiva para a sociedade.”

Foi nesta linha de raciocínio que Larry Fink, CEO e fundador do BlackRock, considerado o maior gestor de ativos do mundo, escreveu sua conhecida “Carta anual aos CEOs” de 2018. E cada vez mais enfático nos anos posteriores de 2019, 2020, onde propõe uma mudança estrutural nas Finanças e insere os temas de ESG no coração dos investimentos, comprometendo com o desinvestimento em setores intensivos em carbono, como carvão mineral.  

 

Fink destaca o necessário papel de uma governança mais ativa, comprometida e diversa para melhor identificar riscos e oportunidades que fomentem o crescimento a longo prazo. 

 

Neste contexto, a maneira como conduzimos a governança em nossas organizações endereça os novos desafios e oportunidades da sociedade e dos investidores de hoje e do futuro?

A Tecnologia e o ESG

As novas tecnologias como a inteligência artificial, internet das coisas e blockchain podem reduzir custos de alimentos, tratamentos de saúde, moradia e gerar novos negócios. 

Por outro lado, as mesmas tecnologias podem agravar antigos problemas sociais e ainda gerar novos desafios para a humanidade, como por exemplo, o isolamento social, polarizações, desemprego tecnológico e as desigualdades.

Ou seja, tecnologias não são capazes de promover mudanças positivas na sociedade se não estiverem integradas a modelos de negócios que visem objetivamente a solução de problemas sociais reais. E a modernização da governança das empresas é uma das condições mais importantes para que as tecnologias proporcionem desenvolvimento humano e ambiental, e prometem ser um bom negócio.

No Brasil, muitas empresas estão criando negócios lucrativos desenhados especialmente para gerar benefícios sociais e ambientais:

- A Duratex desenvolveu um novo propósito que direciona o seu modelo de negócio para criar soluções inovadoras que melhorem a qualidade de vida das pessoas em seus lares e locais de trabalho. 

- A Suzano desenvolve tecnologias para a produção de polímeros sofisticados para usos em diversas indústrias a partir de matéria prima renovável. 

- A HP junto com uma das suas principais fornecedoras, a Flex, desenvolveu uma das indústrias de reciclagem de eletrônicos mais sofisticadas do mundo, a Synctronics, com sede no Estado de São Paulo. 

- A Coca Cola anunciou em janeiro de 2018 o investimento bilionário na reciclagem de embalagens plásticas.

- A Unilever e a Danone estão desenvolvendo alimentos produzidos de forma sustentável e que buscam melhorar a nutrição. 

- A Native, a Korin e a Mãe Terra (esta última adquirida pela Unilever) são marcas em forte crescimento que estruturaram seus negócios a partir de produtos orgânicos e processos de produção regenerativos, ou seja, que não só conservam, mas melhoram as condições dos recursos naturais. 

- A Nestlé lançou em 2019 uma linha de leites orgânicos no Brasil, que tem potencial significativo para gerar mudanças no mercado de lácteos brasileiro. 

- A Natura usa a biodiversidade para a criação de produtos inovadores que valorizam a sua marca a partir dessa identidade única no mercado nacional e internacional.

- A Schneider Electric desenvolve suas tecnologias com o objetivo de contribuir para a solução do dilema energético global – ampliar o uso de energia e ao mesmo tempo reduzir as emissões de carbono. 

Esses novos modelos de negócios se baseiam em vantagens competitivas que até agora eram ignoradas, mas que hoje podem ser parte de uma nova estratégia de fortalecimento da indústria brasileira. 

O Brasil é também um dos poucos países do mundo que combinam uma grande estrutura industrial e agrícola localizada próxima a um dos maiores mercados consumidores do mundo. Esta proximidade é uma condição que permite estruturar uma economia circular que além de reduzir impactos ambientais, reduz custos e gera novos negócios lucrativos.

 

Essas empresas estão descobrindo o potencial econômico de negócios orientados para a solução de problemas sociais e ambientais. Essas estratégias dependem de modernas tecnologias, mas dependem principalmente da capacidade de aplicá-las em um contexto muito complexo. Sem uma governança moderna isso não seria possível.

 

Cada vez mais, desafios sociais e ambientais globais, regionais e locais fazem parte do contexto de atuação das organizações, afetando sua estratégia e cadeia de valor (…) Tais circunstâncias impõem a necessidade de uma visão ampliada do papel das organizações e do impacto delas na sociedade e no meio ambiente e vice-versa”, é o que diz o Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa do IBGC, reconhecendo a evolução do ambiente de negócios e da necessária ampliação do foco da governança.

Texto extraído do artigo “Inovar com criação de valor compartilhado”, publicado no Blog da Schneider Electric. Para ler o texto completo, clique aqui.

 

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Ou se inspire com esses outros artigos incríveis sobre o tema:

O que é ESG?, por João Paulo Pacifico, CEO do Grupo Gaia.
Empresa e Stakeholders: Relacionamento que seja eterno, por Guilherme Athia, Fundador da The Stakeholder Relations.

 


 

 

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