[ editar artigo]

Habilitando sua empresa para o futuro: uma fórmula nada mágica

Habilitando sua empresa para o futuro: uma fórmula nada mágica

Colaboração, propósito e sustentabilidade são algumas das características comuns das empresas preparadas para novos tempos. E dentro da sua organização, elas estão presentes no dia a dia? Entenda mais sobre esse assunto com Luiz Beltrami, Fundador da 4D Sustainability. 

 

Naquela manhã, o diretor da empresa responsável pela construção havia decidido acompanhar de perto aquele importante empreendimento. Caminhando pelo canteiro, ele parava aqui e ali e questionava os trabalhadores sobre o que estavam fazendo. Quando se aproximou de um homem que quebrava pedras incessantemente, ouviu uma resposta direta, grosseira até: “Estou quebrando estas malditas pedras”. Um tanto desconcertado, o executivo prosseguiu sua caminhada. Alguns instantes depois, parou outro homem que levava um carrinho de mão repleto de sacos de areia. Aqui a resposta não foi muito diferente, apesar de mais educada: “Eu transporto os carregamentos de areia que chegam ali até aquela outra área”. Mais adiante, uma terceira tentativa. “Eu? Eu estou construindo uma catedral”, disse o orgulhoso homem enquanto continuava a assentar tijolos.

 

Essa é uma versão livremente adaptada (até onde minha memória permitiu) de uma história com a qual me deparei algumas vezes. A última delas, no livro “A Hora da Verdade”, de Jan Carlzon. É uma história simples, mas que ensina importantes lições.

A resposta dos dois primeiros trabalhadores em nossa pequena anedota é uma representação fiel da grande desconexão entre aquilo que as pessoas buscam em uma empresa e aquilo que elas oferecem. Em uma recente pesquisa da Deloitte, por exemplo, ao responderem sobre os aspectos culturais mais importantes na hora de escolher uma empresa para trabalhar, os participantes colocaram “um ambiente que proporciona um senso de propósito, onde eu sinta que eu faço a diferença” em segundo lugar com 39%. Ou seja, ainda que o dinheiro seja importante, claro, as pessoas querem mais do que isso. 

 

Além de um fator de motivação, o propósito, dentro de uma organização, funciona como a cola que mantém as pessoas unidas em torno de um ideal comum, abrindo caminho para a colaboração.

 

Partindo da ideia de que somos animais sociais e que a colaboração foi, desde sempre, fundamental para nossa sobrevivência enquanto espécie, dentro de uma organização ela é peça-chave para a manutenção do negócio no longo prazo. É a partir dela, por exemplo, que a tão sonhada inovação pode se tornar um objetivo mais realista. E, olhando mais além, já tocando em nosso próximo ponto, é por meio da colaboração - interna ou além dos limites da empresa, envolvendo parceiros, consumidores e, por que não, concorrentes - que se torna possível usar o poder dos negócios para resolver os problemas sociais e ambientais de um mundo cada vez mais interconectado e complexo. 

Foi assim durante os primeiros meses de pandemia, com os lockdowns mais rigorosos e a redução das atividades econômicas. Desde pactos pela não demissão, até organizações que se uniram no apoio a pequenos negócios, é possível encontrar bons exemplos. Um ponto a se notar aqui é que, de forma geral, estou falando de negócios tradicionais, que não necessariamente nasceram a partir de um propósito nobre, mas que entenderam o momento e a necessidade por um novo paradigma que vem se consolidando

Desde que Milton Friedman cunhou a famosa frase “as empresas existem para dar retorno aos seus acionistas” muita coisa mudou. Bom, nem tanto, e provavelmente não o suficiente. Mas é possível notar uma mobilização dentro do mundo dos negócios no sentido da criação de um novo padrão, algo que ganhou ainda mais ênfase nos últimos meses. É nesse cenário que o chamado Capitalismo de Stakeholders ganha espaço, juntamente com movimentos como Sistema B e Capitalismo Consciente.

As empresas que fazem parte desses movimentos (ou que se alinham com eles) apostam na geração de valor compartilhado considerando as comunidades afetadas, colaboradores(as) e o planeta, além de uma governança consolidada e bem definida. Para elas, propósito e colaboração, assim como a sustentabilidade são inerentes ao negócio. São organizações habilitadas para o futuro que emerge. Com isso, estão mais aptas a:

  • Reter e atrair talentos;

  • Conquistar os corações e as mentes dos consumidores. De acordo com o Relatório de Sustentabilidade Corporativa Global 2015 da Nielsen, 66% dos consumidores globalmente dizem que estão dispostos a pagar mais por marcas sustentáveis;

  • Aumentar o engajamento e a satisfação dos colaboradores e colaboradoras. O propósito fortalece a inovação e aumenta a motivação das pessoas de acordo com um estudo da EY;

  • Se adaptar e demonstrar resiliência frente às adversidades. Durante a pandemia, por exemplo, empresas com foco em Stakeholders mostraram desempenho melhor, de acordo com a JUST Capital;

  • Melhorar a performance financeira. De acordo com a International Finance Corporation, as empresas com alto desempenho ambiental e social superam aquelas com pontuação ambiental e social baixa.

 

E qual é o papel da liderança nisso tudo?

Aqui, a parte prática do artigo. Ainda que tenhamos listado algumas das características fundamentais de organizações mais adaptadas para o momento atual, a verdade é a presença delas dentro das empresas não acontece magicamente.

Nesse sentido, o papel da liderança é fundamental para que a transformação aconteça. Um novo tipo de negócio demanda também novas responsabilidades da liderança. Nas empresas que tomaram iniciativas como as citadas durante a pandemia, por exemplo, o que garante que elas vão continuar nessa trajetória e que a transformação é definitiva? Entre outras coisas, suas lideranças.

Assim, é papel de quem está nessa posição:

  • Levar adiante, de maneira clara e significativa, uma visão comum sobre aquilo que move a empresa. Ou seja, por que cada um ali faz o que faz? 

  • Engajar as pessoas em torno dessa visão e orientá-las para a ação.

  • Abrir espaço e incentivar o compartilhamento de experiências e histórias que reafirmem o propósito da organização.

  • Receber, acolher e orientar as pessoas quando necessário, dando todo o suporte para que todos cumpram seus papéis.

  • Dar contexto, transmitir segurança e contribuir com a criação de um ambiente propício à colaboração.

  • Manter o foco e conduzir todos para a solução de problemas sistêmicos e que afetam todas as partes interessadas.

A lista poderia continuar e talvez nunca seja definitiva.

 

O papel da liderança é dinâmico e mutável. Está mais para um estado do que uma posição fixa.

 

É grande a responsabilidade de quem "está" líder, mas, como vimos acima, os resultados podem ser bastante satisfatórios. No mínimo, estando a frente de um negócio que não prejudica o meio ambiente e apoia as comunidades ao seu redor, você está aumentando as chances para que as gerações futuras prosperem!

---

E na sua empresa, as pessoas estão “apenas” quebrando pedras ou compreendem e colaboram em favor de um propósito comum em benefício das pessoas e do planeta? 

 

Você tem uma experiência sobre esse assunto e quer compartilhar com outros líderes? Clique aqui e escreva seu artigo!

Ou se inspire com esses outros artigos incríveis sobre liderança:

Por que você quer ser um líder?, por Sofia Esteves, Fundadora do Grupo Cia de Talentos.
Você consegue separar vida pessoal da profissional?, por Fredy Machado, Especialista em Liderança Autêntica.

 

Líder Academy
Luiz F G Beltrami
Luiz F G Beltrami Seguir

Comunicação, criatividade, inovação, criação de conteúdo e impacto social, tudo junto e não necessariamente nessa ordem. Um eterno aprendiz, acredito no poder da colaboração para a criação de um mundo melhor. Co-fundador da 4D Sustainability.

Ler conteúdo completo
Indicados para você