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O que pode te manter saudável e feliz ao longo da vida?

O que pode te manter saudável e feliz ao longo da vida?

Adriana Prado, Mestre em Psicologia Positiva, destaca estudo da Universidade de Harvard sobre o que mantém as pessoas felizes e saudáveis. 

Quer se formar na sua vocação? Morar em outro país? Trabalhar numa grande empresa? Empreender o negócio dos seus sonhos? Ganhar na loteria? Enriquecer? Ser famoso? Casar? Ter filhos? Formar uma família?

Passamos a vida toda escutando que, para ter sucesso e ser feliz, temos que estudar muito, conquistar um bom emprego, trabalhar duro, juntar dinheiro, casar, ter filhos e perseverar.

No fundo, o que queremos mesmo é uma receita concreta e rápida, que nos dê uma vida boa e a mantenha dessa forma.

Será mesmo essa a receita da felicidade?

A Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, obteve algumas dessas respostas, depois de realizar o mais prolongado estudo sobre o desenvolvimento da vida adulta que já foi feito em todo o mundo.

Entre os anos de 1938 a 2013, um grupo de pesquisadores dessa universidade americana acompanhou a vida inteira de 724 homens, ano após ano, realizando testes diversos e perguntando-lhes pelo trabalho, pela vida doméstica e pela saúde, buscando respostas sobre o que mantém as pessoas felizes e saudáveis, sem ter a menor ideia de como suas histórias iriam acabar.

Esses homens passaram por entrevistas e exames médicos periódicos. Tiveram seus cérebros monitorados. Também foram entrevistados seus pais, suas esposas e seus filhos, sobre as suas maiores preocupações.

Metade do grupo era de adolescentes da classe alta americana, alunos de Harvard. A outra metade eram jovens pobres, das famílias mais desfavorecidas e problemáticas de Boston.

Depois de 75 anos de estudo, por uma feliz combinação de sorte e persistência de várias gerações de investigadores, o estudo sobreviveu. Cerca de 60% dos 724 homens acompanhados ainda estão vivos, ainda participam do estudo, e em sua maioria já estão hoje com cerca de 90 anos.

E afinal, quais foram os resultados, as conclusões e as lições aprendidas, a partir do que aconteceu com essas vidas?

A mensagem mais clara obtida com esse estudo foi a de que não é riqueza, nem fama, nem trabalhar cada vez mais, o que nos mantêm mais felizes e saudáveis ao longo da vida. O fator decisivo para uma boa vida, são as boas relações sociais que mantemos ao nosso redor.

 

Vida boa constrói-se com boas relações

 

Trocando em miúdos, o estudo apontou ainda três grandes aprendizados sobre as relações:

A primeira lição é que as relações sociais são boas para nós, e que a solidão é tóxica e mata. Acontece que as pessoas que têm mais ligações sociais com a família, com amigos e com a comunidade são mais felizes, fisicamente mais saudáveis e vivem mais tempo do que as pessoas que têm menos relações.

A segunda é que não basta o número de amigos que temos e não se trata de ter ou não uma relação continuada. O que conta é a qualidade das nossas relações íntimas. Porque viver no meio de conflitos é muito prejudicial para a saúde. Por outro lado, viver no meio de relações boas e calorosas é muito protetor.

A terceira grande lição sobre as relações e a nossa saúde é que as boas relações, além de protegerem o corpo, protegem também o cérebro. Pessoas que têm relações nas quais sentem que podem contar com outra nos momentos de necessidade, possuem uma memória mais viva durante mais tempo.

Resumindo as principais conclusões desse estudo: não é fama, quantidade de dinheiro acumulado ou as taxas da nossa saúde física que determinam como vamos envelhecer, mas o grau de proximidade, confiança e satisfação que sentimos em nossas relações pessoais.

E mais: as boas relações não têm que ser sempre fáceis. Podemos ter ideias diferentes e até mesmo discutir constantemente. Quando sentimos que podemos contar um com o outro, essas discussões não se fixam na nossa memória.

 

Parece tão fácil e tão simples, mas na verdade é muito difícil para nós, seres humanos, mantermos boas relações.

 

Isso porque manter boas relações não traz nenhum glamour e dá muito trabalho. Tem que ter cuidado, humildade, paciência, compreensão, desapego. Leva um bom tempo para construir e pode desmoronar num simples desentendimento. Além disso, é um esforço que dura a vida toda, nunca acaba.

Muitos dos homens que passaram pelo estudo, quando chegaram à idade adulta, acreditavam que as realizações, a fama e a riqueza eram tudo de que necessitavam para ter uma boa vida. Mas, ao longo destes 75 anos, o referido estudo provou muitas vezes, que as pessoas que se saíram melhor na vida, foram as que se apoiaram nas relações com a família, com os amigos, com a comunidade.

Conclusão: Uma vida boa constrói-se com boas relações.

E para isso, podemos começar fazendo uma infinidade de coisas simples como: visitar um grande amigo; dizer a alguém importante pra você o quanto o ama; fazer alguma coisa nova em conjunto; ligar para alguém da família com quem não fala há anos; pedir desculpas por uma atitude indevida; agradecer por alguma ajuda recebida etc.

Pense nisso e tenha uma vida saudável e feliz!

Esse artigo foi publicado originalmente no portal Bahia.ba.

Artigo publicado originalmente no jornal Correio.

 

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