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Promover a Felicidade e o bem-estar nas Organizações traz resultado?

Promover a Felicidade e o bem-estar nas Organizações traz resultado?
Cintia Suplicy
mai. 16 - 7 min de leitura
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Com tantas pessoas falando sobre felicidade de uma forma superficial, é de se questionar se investir neste tema traz resultados para o indivíduo e para a organização.

Felicidade organizacional é coisa séria, não é modismo. 

Ainda temos muito a percorrer neste quesito, mas apoiados em dados científicos e nas práticas que estão ocorrendo no mercado nacional e internacional, hoje é possível dizer, com segurança, que promover a Felicidade e o bem-estar nas organizações traz resultado.

Mas que tipo de resultado? 

De uma forma bem simplificada, entenda que pessoas felizes trabalham melhor, são 31% mais produtivas (Universidade da Califórnia), 300% mais criativas e inovadoras (Havard Business Review), vendem 37% mais (Universidade da Califórnia) tendem a se relacionar positivamente com os colegas, são menos acometidas por doenças decorrentes do trabalho como depressão, ansiedade e burnout, são 50% menos propensas a acidentes de trabalho (Gallup), e várias outros benefícios.

Vivemos em uma cultura em que aprendemos a pensar que felicidade é consequência do sucesso. Se tomarmos como base o pensamento da maioria da população, que sucesso seria alcançar um patamar financeiro satisfatório e "dormir tranquilo", pesquisas revelam que o dinheiro traz felicidade em algumas circunstâncias, como naquela em que não temos as necessidades básicas atendidas, como aprendemos na pirâmide de Maslow, quando você economiza tempo (imagine se você pudesse andar de helicóptero para se deslocar na cidade de São Paulo), quando o dinheiro é gasto em experiências e quando é gasto com outras pessoas.

Mas o que é Felicidade então?

Aristóteles foi o primeiro filósofo a trazer contribuições para este campo de estudo. Ele dizia que a Felicidade é a busca final de todas as pessoas, e que seria um fim em si mesma.

Na obra “Ética a Nicômano”, baseada em seu pai, ele fala das virtudes como caminho para o pleno desenvolvimento humano. Segundo ele, ter um caráter virtuoso nos aproxima da felicidade, defendendo que o nosso objetivo principal é sermos bons, e não apenas sabermos o que é bom.

Foi nesta época que surgiram os termos eudaimonismo e hedonismo, onde o primeiro seria o estado da alma, que não é um estado circunstancial, um estado apenas de prazer ou alegria. Já o segundo, seria a felicidade apenas pelo prazer, aquela que vem do prazer imediato.

Ainda na linha filosófica, Epicuro dizia que a felicidade está em buscar serenidade para si e para o outro, através da gentileza, prudência e da justiça, além de nossas atitudes e pensamentos. Aconselha nos afastarmos dos excessos, nos aproximarmos da natureza e cuidarmos da saúde.

Trazendo para o campo da ciência, Martin Seligman e outros pesquisadores iniciaram o movimento chamado Psicologia Positiva, termo utilizado anteriormente por Maslow, Rogers e outros psicólogos humanistas, mas sem evidências empíricas, que passou a estudar o que faz a vida valer a pena. 

Com tantos estudos sobre depressão e ansiedade, a ciência colocou a luz sobre a Felicidade e o bem-estar, mostrando que a Felicidade em todos os contextos, está relacionada ao acrônimo PERMA, onde, em inglês, P (emoções positivas), E (engajamento), R (relacionamentos positivos), M (significado e propósito) e A (realização) e à utilização de nossas forças pessoais. 

Recentemente, alguns pesquisadores incluíram a letra V (vitalidade) ao acrônimo, representada por boa alimentação, bom sono e movimento.

Você pode conhecer mais sobre o PERMA clicando neste artigo do Miguel Nisembaum

Voltando à Felicidade e ao Bem-estar nas organizações, há muito o que podemos fazer com base nas evidências científicas. Cada elemento oferece uma série de práticas para se alcançar uma vida profissional mais satisfatória.

Como eu disse no início, felicidade nas organizações é coisa séria. Não podemos cair na ingenuidade de pensar que medidas isoladas irão resolver.

Está tudo bem implantar um programa de saúde mental com atendimento psicológico, prática de mindfulness, sala de descompressão e horários flexíveis, mas a mudança exige um olhar para a cultura como um todo. 

Precisamos de algo que de fato gere engajamento e resultados, contando com as lideranças à frente da mudança. E quando eu falo em liderança, a alta liderança é a primeira que precisa ser envolvida no processo.

No Brasil, temos alguns casos como o da empresa GAIA e da Medicatriz, por exemplo, que só conseguiram implementar uma cultura de felicidade e bem-estar com resultados porque os CEOs de ambas as empresas estavam envolvidos e tomaram a frente do programa. 

Se não houver este comprometimento, os resultados até podem aparecer, mas um pouco tímidos, dependendo do porte da empresa.

Após anos trabalhando com programa de felicidade e bem-estar, é frustrante pensar na quantidade de vezes em que os líderes não tiveram força para continuar devido à falta de apoio da alta liderança.

De nada adianta um programa de felicidade se os salários estão abaixo da média do mercado, os horários são desumanos, o ambiente é tóxico, a competição é estimulada, não se permite errar e a pressão por resultados é altíssima.

Já vimos que Felicidade traz resultados. Mas o que fazer para promovê-la no ambiente organizacional?

- Precisamos de pessoas engajadas em promover um ambiente com segurança psicológica, onde as pessoas consigam expressar as suas ideias e também as suas vulnerabilidades, onde possam ser elas mesmas e sejam ouvidas;

- Estabelecer um propósito claro, definir e praticar os valores da empresa e trabalhar o significado do trabalho com cada colaborador. Hoje o trabalho, mais do que nunca, precisa fazer sentido;

- Ambientes leves, onde o conflito é saudável, as relações são fortalecidas e a colaboração é estimulada;

- Líderes que valorizem as pessoas pelo que elas são e consigam identificar as suas potencialidades e adequar os papéis de cada colaborador corretamente;

- Desafios compatíveis com as habilidades do liderado;

- Promover a esperança, a autoeficácia, a resiliência e o otimismo;

- Estabelecer metas claras e ajudar o liderado no alcance das mesmas, comemorando cada passo dado;

- Reconhecer os sucessos, aprender com os fracassos;

- Envolver o colaborador nos processos e na construção de melhorias.

Estas são algumas dicas importantes que listei com base na minha experiência na promoção de ambientes mais saudáveis e felizes. 

Como eu disse no início, ainda há um longo caminho a percorrer. E pelo que o mercado têm mostrado nos últimos dois anos pós pandemia, o cenário é promissor.

Vamos juntos!

 

Cintia Suplicy

Psicóloga, Designer de Organizações Positivas, Mentora de Felicidade e Autenticidade

 

 

 


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