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Propósito à frente do Lucro: Utopia?

Propósito à frente do Lucro: Utopia?

Arilma Tavares, coordenadora de Sustentabilidade do SENAI CIMATEC, fala sobre a força do propósito e os novos caminhos para a sustentabilidade das organizações.

 

Se o nosso corpo parar de produzir células vermelhas nós morremos. Muitos de nós sabemos disso, e nem por isso acordamos todos os dias para produzir células vermelhas. Acordamos para viver (amar, se relacionar, viajar, trabalhar, estudar...). Não é mesmo? Então, por que será que as empresas vivem para ganhar dinheiro? Sim, eu sei que sem dinheiro o resultado será negativo e a empresa entrará em falência, mas existir obstinadamente pelo lucro, é como acordar todos os dias pensando que temos que produzir células vermelhas, se não morreremos... (1)

 

As empresas, em sua maioria, rodam com a mentalidade do “lucro pelo lucro” há muito tempo, por isso, mudar esse paradigma não é simples, mas, a cada dia, torna-se indispensável uma nova estratégia para a sustentabilidade das organizações e da própria sociedade.

 

Gerar negócio com um propósito maior, que atenda a todas as partes interessadas proporciona um engajamento em toda a sua cadeia de valor, elevando o nível de motivação dos envolvidos, e, consequentemente, gerando negócios prósperos.

Podemos ter a evidência através de empresas em todo o mundo. Cito apenas três para ilustrar: Ben&Jerry’s, Grupo Gaia e Euzaria. De grande à pequena empresa podemos ver que atuar com Propósito gera negócios prósperos em todos os aspectos, e isso cada vez mais fará sentido, considerando que, segundo Donah Zoah(2),  precisamos resignificar o capitalismo, saindo do “caos” para um estado de equilíbrio auto-organizador.

Adicionalmente, os jovens estão pedindo mais de governos e empresas. Com a geração Y alcançando o poder de decisão nos próximos anos a abordagem do mundo à Sustentabilidade tende a ser inexorável, afirma Lerry Fink.

Lerry Fink é CEO da Black Rock, maior empresa de gerenciamento de ativos do mundo, com mais de US $ 6,5 trilhões sob sua gestão. Em 2019, a sua Carta aos CEO’s declara que não tem como gerarmos negócios sustentáveis sem Propósito, ou seja, é necessário propósito à frente do lucro.

 

Segundo Danah Zohar toda essa mudança nos convida a sair de um modelo onde predomina medo, ambição, raiva e auto-afirmação para um novo modelo de cooperação, auto-controle, valorização das adversidades (2).

 

Ainda, reforçando a importância desse novo modelo de negócio, cito Sandra Chemim, CEO Future You(3): a nova economia requer compartilhamento, solidariedade, criatividade... sendo uma estrutura libertadora, pois é um modelo colaborativo.

Acredito que as pessoas estão mudando, a sociedade está mudando e as empresas, consequentemente, estão mudando para melhor! Um exemplo disso é que no século 19 as empresas contratavam “braços”, no século XX as empresas contratavam “cabeças” e no século 21 as empresas estão contratando “coração”, ou seja, empatia, solidariedade, comportamento inclusivo... (4).

 

Estamos começando a entender o negócio como meio para gerar soluções sociais e ambientais, e, consequentemente, contribuir para a sustentabilidade global (garantido a própria sustentabilidade empresarial), sem, por isso, desconsiderar a necessidade de sustentabilidade econômica.

 

É o que sugere John Elkington criador do “triple bottom line” há 25 anos, mas que em 2018 reformulou a sua teoria colocando o negócio como meio de alavancar um futuro próspero para todos :

Nesse modelo, o meio ambiente é maior do que a sociedade e do que o negócio por ser a base de sustentação da vida. Por sua vez, a sociedade é maior do que o negócio, pois ele deve existir para atender às necessidades dela.

E chegamos em 2020 – o ano da Pandemia – e tudo está sendo acelerado... E se imaginarmos os próximos 15, 30 anos... Com a Inteligência Artificial se desenvolvendo e nos desocupando de atividades mecânicas, o que vai sobrar para cada um de nós? Vai sobrar a melhor parte: “sermos humanos”.

Cada vez mais vamos precisar buscar “sentido”(5), e se o ser humano começar a buscar sentido ele vai, inexoravelmente, ao encontro do seu propósito. E como empresas “são pessoas”, as empresas vão ser cada vez mais movidas por propósito.

Não temos outra opção: ou “nos tornamos humanos” ou seremos engolidos pelas crises socioambientais e pela inteligência artificial. Sustentabilidade empresarial passa por propósito, e propósito é muito mais forte do que o lucro.

 

Referências:

1 – O autor dessa analogia é desconhecido.
2 – Donah Zoah. Ian Marshall. Livro Capital Espiritual. Como usar a Inteligência racional, emocional e espiritual para transformar tanto a si quanto a cultura coorporativa.
3 – Sandra Chemim, CEO Future You. Episódio 97 do Podcast da CBN Professional.
4 – O autor dessa afirmativa é desconhecido.
5 –  Yuval Harari. Livro 21 Lições para o Século 21. 2018

 

Você tem uma experiência sobre esse assunto e quer compartilhar com outros líderes? Clique aqui e escreva seu artigo!

Ou se inspire com esses outros artigos incríveis sobre o tema:

O que é ESG?, por João Paulo Pacifico, CEO do Grupo Gaia.
A pandemia do ESG-washing, por Fabio Alperowitch, Co-Fundador da FAMA Investimentos

 


Arilma Tavares é Engenheira Sanitarista e Ambiental, Mestre em Engenharia Ambiental Urbana, Especialista em Soluções Ambientais e Pós Graduanda em Direitos Humanos, Responsabilidade Social e Cidadania Global. É coordenadora de Sustentabilidade do SENAI CIMATEC.

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Engenheira Sanitarista e Ambiental, Mestre em Engenharia Ambiental Urbana, Especialista em Soluções Ambientais e Pós Graduanda em Direitos Humanos, Responsabilidade Social e Cidadania Global. É coordenadora de Sustentabilidade do SENAI CIMATEC.

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