A comunidade está de cara nova!
Atividades
  • Notificações
  • Tags
  • Favoritos
Nenhuma notificação

Qual a relação da compaixão com o lucro? - por Laydyane Ferreira

Qual a relação da compaixão com o lucro? - por Laydyane Ferreira
Líder Academy
ago. 22 - 7 min de leitura
3 Curtidas
0 Comentários
0

A compaixão tem tanta relação com a minha vida que acabei sendo convidada em 2017 para ser professora de uma disciplina de MBA e Pós-graduação cujo o nome é Compaixão, Empatia e Comunicação Não Violenta, que faz parte de uma Especialização em Educação Positiva, Habilidades para o Futuro e Inovação, em Belo Horizonte.
Nas minhas pesquisas sobre Felicidade nos Negócios ao redor do mundo, fui para um retiro em Plum Village que é uma comunidade global de práticas de mindfulness, fundada pelo Zen Master Thich Nhat Hanh, um líder espiritual global, indicado ao prêmio Nobel da Paz por Luther King e que ensina a viver a consciência do momento presente e, consequentemente, a encontrar a paz dentro de nós mesmos.
O retiro se chamava "Business Retreat" e o tema de 2019 foi Lucro com Compaixão. Eu fiquei em estado de euforia quando eu li a mensagem sobre o retiro. A minha primeira reação foi pensar que aquilo não existia. Era quase inacreditável. Fiquei ainda mais surpresa quando li que o retiro era voltado para pessoas de negócios. E realmente era, constatei pessoalmente: uma média de 400 profissionais (executivos, consultores, médicos, enfermeiros, professores, coaches, analistas, empreendedores etc.), de 27 países, preocupados em falar de compaixão nos negócios. Mas é que parece mentira, sabe! Parecia que não era real, de tão lindo e com aplicação prática. Os monges de lá atendem C-levels de empresas como o Google, e tinham muitos executivos globais de várias países, muitos com Burnout . Neste mesmo retiro, eu recebi uma iniciação em Mindfulness, e o meu nome de batismo foi Blooming of Compassion (que significa o florescer da compaixão). Então, você já entendeu que eu amo o tema compaixão e o tanto que ele já está no meu sistema, independente de moda ou tendências? Na verdade, a minha maior professora do assunto se chama Helena, que eu tenho a honra de chamá-la de mãe. Quando eu comecei a estudar sobre compaixão, eu percebi que tive muitas aulas através dos exemplos dela, durante a minha educação.

E falamos tanto de compaixão até aqui que eu não te expliquei o que a palavra significa. De uma forma bem simples, compaixão vem do latim compassione que significa “compadecer com”. Na compaixão você sente a dor do outro através de uma conexão emocional e sempre há uma ação para ajudar a eliminar o sofrimento. Então a compaixão nos liga a outras pessoas, gerando estágio de consciência, de coletividade e de conexão. Porém, ela tem muita conexão com a dor, já que é "sofrer com". Então, sendo muito compassiva com todos nós, este sofrimento que estamos passando ocasionado pelo COVID-19, tem um viés de muita consciência. Se você conectar com o sentido de tudo e diminuir a resistência, poderá ajudar a minimizar o sofrimento.

Sofrimento = Dor x Resistência (Kritin Neff)

A partir do momento que conectamos com a nossa dor, conectamos com a do outro e vice-versa. O grande problema que percebo, é que muitos confundem compaixão com piedade e, definitivamente, não é. Compaixão significa que é difícil para mim e que é difícil para você. Piedade é algo que presume o coitado e a coitada, não trazendo para ambas as partes a lucidez do sofrimento.

“Para ter acesso a compaixão você não precisa de certificados, de universidade ou de ler mil livros para entendê-la. Se você permitir, ela já está dentro de você, esperando uma chance de ser acolhida”

Queria te contar que após tudo isso passar, provavelmente, seremos seres mais compassivos e conectados com as nossas dores individuais e coletivas, nos tornando mais vulneráveis e mais abertos a falarmos de nossas emoções. Assim teremos mais consciência do nosso propósito individual, organizacional e coletivo.

Voltando ao retiro de business e compaixão, eu quero te contar sobre uma tarefa que recebíamos lá: tinha dia em que nossa tarefa era "nothing to do, nowhere to go", ou seja, não fazer nada e não ir a lugar nenhum. Na minha experiência individual e pelo que percebi também daquele coletivo, nós estávamos abrindo espaços para o "nada". Neste nada emergiam coisas incríveis de autoconhecimento, de cura emocional, de autoconsciência e de autocompaixão.

E agora, olhando a pandemia do COVID-19, te pergunto, com um olhar mais amoroso, o que ela está provocando no coletivo? Não seria o "nothing to do, nowhere to go". Te convido a refletir sobre a oportunidade de fazer uma mudança interna que contribua para a nossa jornada evolutiva.

"Não existe ninguém no universo de quem gostemos mais do que de nós mesmos. A mente pode viajar em milhares de direções, mas não encontrará ninguém mais amado. No momento em que vemos o quanto é importante amar a nós mesmos, deixamos de causar sofrimento às pessoas"
Thich Nhat Hanh


Acontece que pela ansiedade e stress gerado pela situação, muitos estão se afundando em conteúdos tóxicos por 24h, trabalhando mais e não dando espaço para o vazio. É, neste lugar, no vazio de uma respiração preenchida de vida e presença, que a ansiedade vai embora, que o medo fica pequeno e que o propósito coletivo floresce: sermos. Simplesmente sermos!!!

Alguns estudos falam que a autocompaixão reduz o quadro de ansiedade e depressão em até 20%. Kristin Neff

Então eu separei, humildemente, algumas dicas que considero importantes para autocompaixão e compaixão florescerem, e ajudar você a passar por essa fase de incertezas (na verdade ela sempre existiu, e nós que criamos a ilusão do controle) que estamos vivenciando:

  1. Seja amável e gentil com você mesmo(a). Amar ao próximo começa por você!
  2. Crie pausas de 5 a 10 min, prestando atenção na sua respiração, não julgando seus pensamentos, 3 vezes ao dia;
  3. Pratique a meditação mindfulness;
  4. Tenha um diário. Fale para você mesmo(a) as suas dores. Uma boa: Comunicação Consciente, começa com o diálogo interno;
  5. Se permita extravasar suas emoções. Deixa a tristeza entrar. Se você duvida do poder da tristeza, assista o filme Divertidamente que você irá se inspirar muito;
  6. Use a compaixão nos negócios. Como? Siga as dicas acima e pratique a autocompaixão.

Como estamos falando também de negócios, a compaixão, junto com a gratidão e o perdão, são virtudes que melhoram o bem-estar psicológico nas organizações, gerando um clima positivista. Segundo um workshop que participei em 2017, com o super especialista, Tal Ben-Shahar, guru da felicidade, o bem-estar psicológico aumenta em até 6 vezes a produtividade em equipes.

Está convencido de que compaixão tem relação direta com os negócios? Imagina a potencial dela em organizações com propósito? Tudo começa com o florescer da compaixão, dentro de cada um de nós.

“Seja a mudança que quer ver no mundo” - Gandhi

 

#compaixão, #inteligenciaemocional, #proposito, #comunicaçãoconsciente, #burnout, #resiliência, #lucroconsciente, #futuro do trabalho, inovaçãoemliderança, #bemestarpsicologico

 


Publicado originalmente em 3 de abril de 2020 no Linkedin

por Laydyane Ferreira, Diretora Executiva na Ayo Consultoria e Treinamentos | Estrategista Cultural & Inovação em pessoas

 


Denunciar publicação
3 Curtidas
0 Comentários
0
0 respostas

Indicados para você