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Três coisas que você precisa saber para liderar sua equipe num mundo pós-pandemia

Três coisas que você precisa saber para liderar sua equipe num mundo pós-pandemia

Flora Victoria, fundadora do SBCoaching, explica como a Psicologia Positiva pode ajudar a engajar equipes e liderar de forma mais humana, não tóxica, num cenário pós-pandemia.

 

Entre as muitas dúvidas e incertezas trazidas pela pandemia, algumas têm se tornado urgentes no mundo empresarial. Como liderar equipes nesse cenário pós-pandemia que começa a se delinear? Que valores e estratégias serão fundamentais nessa nova realidade que nos aguarda? Uma coisa é certa. O engajamento será mais necessário do que nunca.

De modo mais amplo, podemos defini-lo como uma conexão física, emocional, cognitiva e social que se desenvolve quando estabelecemos uma relação imbuída de propósito com os diferentes aspectos de nossa vida – incluindo trabalho, é claro. O resultado dessa conexão é um esforço voluntário e espontâneo, direcionado a objetivos.

Para se ter uma ideia da diferença que isso faz, uma análise de pesquisas feitas pelo Gallup com mais de 1.3 milhão de trabalhadores em 192 organizações descobriu que aquelas nas quais o engajamento é maior são 22% mais lucrativas, 21% mais produtivas e possuem um índice de absenteísmo 37% menor do que as que apresentam menor porcentagem de funcionários engajados. Além disso, as campeãs de engajamento ostentam uma taxa de turnover 25% inferior (nas empresas de alta rotatividade) e 65% menor (nas de baixa rotatividade).

Historicamente, porém, o Gallup constatou que o nível de engajamento da força de trabalho, em escala global, está em torno de 30%. Como o engajamento está associado à motivação, satisfação e bem-estar no trabalho, é de se supor que, com a pandemia esse número tenha despencado ainda mais, certo? Errado.

Surpreendentemente, os levantamentos do Gallup feitos durante a pandemia registraram uma elevação no índice de engajamento, que agora chega a 38% da força de trabalho. O que produziu esse “milagre” em um momento em que experimentamos uma redução do bem-estar e da satisfação com a vida devido à crise? E, principalmente, como você pode reproduzi-lo? 

 

A chave do mistério está na resposta que as organizações têm dado à pandemia e no suporte que oferecem a seus colaboradores. A psicologia positiva, a ciência do bem-estar que está sendo aplicada com sucesso nas empresas, pode nos fornecer algumas respostas.

 

Preste atenção nestas três dicas. 

A primeira é manter uma comunicação clara e aberta com seus colaboradores. Comunique todos os esforços que a empresa está empreendendo para preservar a saúde e o bem-estar dos funcionários na volta ao trabalho presencial. Acolha e dê respostas diretas às suas dúvidas e temores. E seja honesto quanto aos desafios que a organização está enfrentando, as dificuldades e os percalços. 

Mas, ao mesmo tempo, partilhe uma visão de futuro. Compartilhe as possibilidades, as iniciativas e planos da empresa para superar a crise – o que nos leva à segunda dica, que é estimular a esperança de seus colaboradores.

De acordo com a psicologia positiva, a esperança é mais do que um desejo de que as coisas saiam conforme o esperado. É um processo que envolve ter um objetivo motivador, ser capaz de vislumbrar as rotas para chegar a esse objetivo e possuir a iniciativa necessária para entrar em ação.

 

Assim, ao estimular a esperança você não está apenas alimentando um desejo. Você está encorajando um comportamento e uma atitude ativa e focada. 

 

A terceira dica trata da gratidão. Demonstre enfaticamente o quanto você se sente grato por seus colaboradores estarem enfrentando toda essa crise do seu lado. Agradecer implica reconhecer que algo tem valor para você e mostrar-se agradecido por isso.

Uma série de pesquisas indica que a gratidão tem um efeito poderoso no ambiente de trabalho. Em um desses estudos, feitos por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, voluntários que trabalhavam com arrecadação de doações foram divididos em dois grupos. O primeiro ouviu, antes de iniciar o trabalho, um pequeno discurso de agradecimento feito pela pessoa responsável pela iniciativa. O segundo grupo não foi exposto a nenhum discurso. Adivinhe qual foi o resultado? O grupo que recebeu os agradecimentos obteve uma arrecadação 50% maior do que a do grupo que não foi alvo de nenhuma manifestação de gratidão.

Diferentes estudos revelam que não é só a performance que é afetada. Funcionários que se sentem reconhecidos e apreciados desfrutam de mais bem-estar físico e psicológico e são menos sujeitos ao estresse e à ansiedade – entre vários outros benefícios. 

 

E quanto a você? O que você está oferecendo aos seus colaboradores nesse período de crise que seja capaz de estimular o engajamento? Não se iluda achando que basta oferecer um emprego.

 

Se isso fosse suficiente, o índice de engajamento da força de trabalho não seria de apenas 38%.

Lembre-se disso. O engajamento é uma escolha voluntária e, como tal, não pode ser comprado. Pode apenas ser estimulado

 


Flora Victoria é mestre em Psicologia Positiva pela Universidade da Pensilvânia e Embaixadora da Felicidade no Brasil. Empresária e empreendedora, é fundadora e presidente da Sociedade Brasileira de Coaching.

Trainer que já formou mais de 30 mil coaches, Flora é também palestrante e autora de diversos livros. Sua obra mais recente, O Tempo da Felicidade, foi lançado pela HarperCollins.

 

 

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