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Viés Inconsciente – como lidar com ele e construir um clima de inclusão, engajamento e bem-estar?

Viés Inconsciente – como lidar com ele e construir um clima de inclusão, engajamento e bem-estar?

 

Somos programados para julgar as outras pessoas de forma intuitiva e inconsciente. O julgamento faz parte das nossas vidas. Mesmo que não tenhamos a intenção, estamos julgando com base em associações inconscientes que não necessariamente representam a forma como pensamos em relação ao outro.

É normal ouvir alguém dizer que não é racista, por exemplo, mas presenciar uma atitude racista desta mesma pessoa. E isso não quer dizer que o outro esteja mentindo. Quer dizer que ele tem enraizado em seu inconsciente, comportamentos e pensamentos que nem ele percebe que possui.

E se este julgamento que não controlamos existe, precisamos entender melhor sobre viés inconsciente, suas consequências e soluções para termos empresas mais inclusivas e relações mais saudáveis.

O termo viés inconsciente, ou implícito, foi utilizado pela primeira vez pelos psicólogos Mahzarin Banaji e Anthony Greenwald, onde argumentaram que o comportamento social é amplamente influenciado por associações e julgamentos inconscientes (Greenwald & Banaji, 1995).

Uma definição que encontrei foi a do Instituto Kirwan para o Estudo de Raça e Etnia, que define o viés implícito como: “atitudes ou estereótipos que afetam nossa compreensão, ações e decisões de maneira inconsciente. Esses vieses, que abrangem avaliações favoráveis e desfavoráveis, são ativados involuntariamente e sem a consciência ou controle intencional do indivíduo”.

Apesar de ter surgido em 1995, o termo ganhou força nas organizações a partir de 2013, quando o Google precisou entender como as decisões eram tomadas no trabalho e como a cultura de diversidade e inclusão pode ser construída dentro das organizações.

A relevância do termo é compreensível dentro do âmbito organizacional, já que o viés inconsciente reflete em atitudes que afetam nossa compreensão, ações e decisões de maneira inconsciente.

Nosso cérebro é primitivo e está programado para nos defender do perigo. Tudo o que é considerado uma ameaça gera uma reação, mesmo que esta reação não tenha razão de existir.

Ao longo de nossas vidas, influenciados por nossos antepassados, vamos formando um padrão mental, que constrói a nossa forma de enxergar e interpretar as pessoas e situações. Formamos pequenas categorias em nosso inconsciente, baseadas em “pistas” visuais, verbais e comportamentais, como exemplo etnia, idade, gênero, orientação sexual, origem ou educação. Estas pistas nos fazem enxergar as pessoas como amigáveis ou hostis, gerando esta reação que mencionei acima.

Pensando na sobrevivência da espécie humana, este padrão mental construído de forma inconsciente, é essencial para tomarmos decisões rápidas em uma situação de perigo, por exemplo. São pequenas regras de comportamento que ficam armazenadas no nosso cérebro e que nos fazem julgar mesmo sem estarmos conscientes de que estamos julgando.

É este viés que faz algumas pessoas tomarem a decisão de não contratar alguém tatuado ou de demitir uma colaboradora que posta fotos sensuais, por exemplo. É também este viés que faz com que algumas pessoas acreditem que uma pessoa negra, que anda de boné e cabeça baixa, possa representar perigo, ou que todo gay tem jeito feminino.

O viés inconsciente cria barreiras à inclusão, desempenho, relacionamentos positivos e engajamento, tanto dentro das organizações, quanto na educação. Portanto, é imprescindível olhar para ele.

 

Quais os tipos de vieses inconscientes?

- O EFEITO HALO

O psicólogo Edward Thorndike, em meados de 1920, descobriu que as pessoas que tem um pensamento benéfico em relação a um indivíduo, tendem a generalizar e achar que as pessoas são boas em várias outras coisas. Por exemplo: um líder pode considerar um colaborador inteligente e pode pensar, também, que ele é criativo, empático ou até bonito, o que pode levar ao líder não conseguir enxergar com clareza o desempenho de alguém.

- O EFEITO CHIFRE

O oposto do Efeito Halo, o Efeito Chifre é a generalização do negativo. Quando alguém “pisa na bola”, a tendência é acreditar que isso sempre vai acontecer.

- VIÉS DE AFINIDADE

Este viés refere-se à tendência de nos aproximarmos de pessoas semelhantes a nós. Um líder influenciado por este viés pode oferecer mais palavras de incentivo a alguém da mesma raça que ele ou até que veio da mesma cidade que ele.

-PRECONCEITO DE GÊNERO

Um estudo da Universidade de Yale descobriu que  professores universitários preferiam contratar candidatos do sexo masculino por considerá-los mais competentes e dignos de salários mais altos. O mesmo viés pode fazer com que uma mulher assertiva possa ser percebida como agressiva e um homem como confiante.

- DISCRIMINAÇÃO POR ALTURA

‍Funcionários altos ganham entre 9 a 15% a mais que seus colegas. Isso porque as empresas tendem a promover pessoas altas, principalmente homens, para altos cargos, como se elas tivessem mais capacidade.

- DISCRIMINAÇÃO POR IDADE

Esta discriminação ocorre principalmente por parte dos mais jovens, com as pessoas mais velhas da empresa. Apesar de estarem amparadas pela Lei, é comum trabalhadores acima dos 45 anos perderem uma promoção para trabalhadores mais novos.

- VIÉS DA PERCEPÇÃO

Ocorre quando há julgamento em função de estereótipos, podendo incluir viés de gênero, aparência, idade, altura, raça, etc.

- VIÉS DE CONFORMIDADE

O viés de conformidade acontece quando você se deixa influenciar por pontos de vista de outras pessoas por estar buscando aceitação de um grupo.

 

Como os vieses inconscientes se manifestam?

Nem sempre eles se manifestam de forma explícita. É preciso entender que o nosso corpo está, a todo momento, comunicando.

Veja as formas mais comuns de manifestação dos vieses inconscientes

- Na fala, quando ocorrem erros que indicam nervosismo;

- Na falta de contato visual, que pode indicar repulsa, superioridade ou nervosismo ou no excesso, sugerindo confiança e respeito;

- Ao piscar insistentemente os olhos, o que pode indicar tensão;

- Na preferência de conversas mais agradáveis com um determinado grupo;

- Na preferência para uma promoção;

- Na tratativa (melhor ou pior, dependendo da pessoa com quem se está);

- No tom de voz;

- Na falta ou excesso de reconhecimento;

Existem outras maneiras de manifestação, mas procurei citar as mais comuns.

 

E como lidar com o Viés Inconsciente?

Existem diversas estratégias para lidar com eles. Cada um pode possuir a sua própria estratégia.

Vou listar algumas delas que você pode começar a aplicar na sua empresa:

- O primeiro passo é ter a consciência da existência dos vieses inconscientes. Todos nós temos. E também estar consciente de que ter preconceitos é comum e que podemos lidar com eles;

- Dê uma pausa para pensar sobre as duas próximas decisões. Nosso cérebro busca a economia de energia e realiza tarefas no automático, para que não possamos perder energia pensando no que fazer. A pausa permite que a gente saia do automático e traga presença, reduzindo a probabilidade de tomar decisões inconscientes;

- Realize treinamentos sobre viés inconsciente para suas equipes com foco em diversidade, igualdade e inclusão e prepare um plano de ação;

- Traga diversidade para a empresa e acostume as pessoas a conviverem com as diferenças: traga mulheres em cargo de liderança para falar, tenha banheiros inclusivos, equilibre gênero, raça e idade em cargos de liderança;

- Lide com as “microagressões” causadas pelos vieses inconscientes assim que elas ocorrerem;

- Crie oportunidade para que as pessoas compartilhem suas ideias para uma empresa mais inclusiva;

- Comece a combater o viés inconsciente em você e seja um modelo. Se observe e crie estratégias para lidar com eles;

- Conheça melhor seus colaboradores e incentive esta conexão entre eles;

- Empodere as pessoas e oriente-as a tomarem decisões mais inclusivas.

 

Fico por aqui, curiosa para saber da sua estratégia. Me conte! O que você está fazendo para lidar com os vieses inconscientes na sua empresa?

Até a próxima!

 

Cintia Suplicy

Psicóloga, especialista em Psicologia Positiva, Designer de Organizações Positivas, Mentora de Felicidade e Autenticidade.

www.wiegrow.com

 

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Sou uma pessoa em constante construção. Adoro uma novidade, um desafio e acredito em um mundo com mais amor e autenticidade. Sou mãe de dois filhos que me ensinam diariamente a ser uma pessoa melhor. Sou psicóloga especialista em psicologia positiva.

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