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3 C's da mudança: Você já ouviu falar?

3 C's da mudança: Você já ouviu falar?

João Pacifico, CEO do Grupo Gaia, explica como as mudanças para práticas ESG no meio corporativo passam pelos "3 C's" - e qual é a responsabilidade da Liderança nesse processo. 

 

Segundo essa teoria (desculpem não sei o autor), as pessoas mudam por 3 C’s: consciência, coerência ou constrangimento.

E isso se aplica ao meio corporativo e de investimentos também.

 

O mundo está exigindo transformações. E as empresas vão evoluir. O que cabe aos Líderes é escolher quando e qual será o caminho: Consciência, Coerência ou Constrangimento?

 

Vamos entender melhor cada um:

1º: Consciência

Ao entender que tal comportamento causa danos a alguém, seja não emitir nota fiscal, comprar produto pirata ou fazer piadas preconceituosas, por exemplo, algumas pessoas criam consciência e mudam.  Esse é o melhor caminho, mas o mais difícil de ser implementado, exige abertura para o novo.

Muitas empresas já estão mudando por consciência ou até mesmo nascendo conscientes. Estão entendendo que elas existem além do lucro, para gerar valor a todos os stakeholders: sociedade, acionistas, cliente, meio ambiente... Muitas delas podem ser encontradas no Sistema B, como Grupo Gaia, Ben & Jerry’s, Natura, Fazenda da Mata, Mãe Terra, Dengo, Fama Investimentos...

2º: Coerência

Certa vez fizemos uma dinâmica em que as pessoas foram divididas em duplas em que cada um tinha que falar uma qualidade do outro.  Caí com um querido amigo, Wellignton Nogueira e fiquei surpreso e feliz com o elogio que ele me fez: coerente!

Coerência é a ação seguir as palavras... falar é fácil, mas fazer são outros quinhentos!

Muitas pessoas e empresas mudam por coerência.  Após um anúncio, todos se comprometem com a mudança.

Porém... Em tempos de redes sociais, cada um pode falar o que quer, e o marketing das empresas se aproveita muito dessa facilidade de falar!

 

“Nos preocupamos com os nossos colaboradores”... “Fazemos o mundo melhor”... são frases de efeito, que se não vierem acompanhadas de ação, de nada valem!

 

Vou dar um exemplo recente: os mesmos bancos que falam sobre o compromisso com ESG (ambiental, social e governança), ofereceram para os seus clientes um investimento super nocivo ao meio ambiente: a chamada “debênture-carvão” da Engie, para financiar uma usina termelétrica a carvão.  E, para isso, o banco BTG cobrou uma comissão gigantesca de R$ 67 milhões (12%, muito acima da média).

Tem um ditado que diz: “tudo tem seu preço”, talvez por uma comissão normal os bancos não topassem trabalhar em algo poluente.  Mas em troca de um grande lucro, parece que eles relevam o aquecimento global.

E o Madero, que afirma que seu hambúrguer faz o mundo melhor, mas desprezou os seres humanos ao afirmar: “O que são 6 ou 7 mil mortes?”... já passamos das 150 mil.  Engraçado que o fundador se disse surpreso com a quantidade pessoas que passaram a boicotar os seus estabelecimentos (eu sou um desses).

A indústria do cigarro escondeu por muitas décadas os males do seu produto.  Vendiam uma imagem de saúde, beleza e força, mas uma hora a máscara caiu (assim como milhões de vidas).

E o que fazer quando encontramos a falta de coerência?

3º: Constrangimento!

Esse é o terceiro C. Ao perceber que líderes e empresas dizem algo e agem de outra forma, devemos cobrar a coerência. Se persistir, o único caminho para a mudança é o constrangimento que irão passar.

Veja o caso do time do Santos, que só cancelou a contratação do jogador Robinho, acusado de estupro, apenas após a grande pressão da torcida e dos patrocinadores. O Constrangimento obrigou o time a mudar a postura.

 

Existem 3 caminhos claros que as empresas podem trilhar. A escolha passa pela Liderança.

 

O mundo precisa de mudanças, em especial para as questões sociais e ambientais... Desejo que as mudanças ocorram por Consciência ou Coerência. Mas se não funcionar, que seja por Constrangimento.

 

Você tem uma experiência sobre esse assunto e quer compartilhar com outros líderes? Clique aqui e escreva seu artigo!

Ou se inspire com esses outros artigos incríveis sobre o tema:

ESG: passe de mágica ou comprometimento de longo prazo?, por André Czitrom, empreendedor social e CEO da Magik JC.
A pandemia do ESG-washing, por Fabio Alperowitch, Co-Fundador da FAMA Investimentos.

 

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João Paulo Pacifico
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curioso, otimista e ativista ;-)

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