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Você tem a sensação que trabalha muito e a lista de tarefas só aumenta?

Você tem a sensação que trabalha muito e a lista de tarefas só aumenta?

Eu tinha. Muito trabalho e, quando chegava no fim do dia, parecia que eu não tinha feito nada. A sensação de ter passado o dia todo pra lá e pra cá, sem resultado nenhum.

Um único resultado, na verdade: uma exaustão tremenda e uma lista de várias tarefas não cumpridas, para o dia seguinte.

Tem alguma coisa errada nesse modelo.

E por que algumas pessoas conseguem fazer muita coisa em pouco tempo? Como elas fazem? Cumprir todas as tarefas, ganhar muito e ainda ter tempo de sobra? A tal da produtividade?

Metas!

Pois é. Cada vez mais eu acredito que este seja o segredo.

Tem se falado de um estudo feito com os alunos de Harvard, em 1953, e depois, com alunos de Yale, em 1979, onde eles teriam respondido a um questionário, e uma das perguntas teria sido alguma coisa como: você estabeleceu uma meta clara e escrita para o seu futuro e você fez planos para cumprir essa meta?

Apenas 3% dos alunos teriam estabelecidos metas escritas, 13% teriam pensado em metas, guardadas de cabeça, e os outros 84% não teriam estabelecido quaisquer metas ou objetivo.

Anos depois, esses alunos teriam sido entrevistados novamente, para uma avaliação de remuneração e patrimônio acumulado.

Os 13% que teriam estabelecido metas, mas que não teriam feito um planejamento escrito - o grupo do meio - ganhavam, em média, o dobro dos 84% que não teriam quaisquer metas. E os 3% que teriam tido o tempo e a dedicação de pensarem em metas e planejarem como cumpri-las, por escrito, ganhavam, em média, dez vezes mais que os outros 97% juntos.

O curioso desses estudos, é que não se sabe se eles aconteceram ou não. Parecem mais uma lenda urbana.

Apesar de não terem provas de que eles realmente aconteceram, vale pensar porque essa lenda sobreviveu tantos anos.

Em busca dessa resposta, Dr. Gail Matthews, uma professora de psicologia da Dominican University of California, fez uma pesquisa semelhante em 2007. Eu vi o resultado!

Ela queria verificar quanto o cumprimento de metas está relacionado à escrever as tais metas, a um plano de ações e a assumir responsabilidade por essas ações.

Ela dividiu os participantes em 5 grupos,

Grupo 1 - pensar uma meta para 4 semanas, qualquer coisa (completar um projeto, aprender uma nova habilidade) e avaliar alguns critérios como dificuldade, importância e motivação em cumprir seu objetivo.

Grupo 2 - mesma coisa, por escrito.

Grupo 3 - mesma coisa, além de estabelecer ações pra cumprir essas metas, também por escrito.

Grupo 4 - mesma coisa, ou seja, escrever uma meta, avaliar os critérios, estabelecer ações para cumprir a meta e contar pra uma pessoa de confiança

Grupo 5 - mesma coisa e, além de contar para a pessoa de confiança, mandar relatórios semanais sobre o progresso do cumprimento da meta.

Resultado, o grupo 5 cumpriu mais metas que os outros e o estudo demonstrou a eficácia de três ações de um bom líder: responsabilidade pelos próprios atos, comprometimento público e estabelecimento de metas escritas.

Então me perguntei por que eu não tenho o hábito de estabelecer metas escritas?

A primeira resposta que me ocorreu: nunca tinha pensado nisso antes. Sempre vivi assim, sempre funcionou. Será que é, realmente, importante?

Não me pareceu uma resposta satisfatória, pois a vida segue como um barco à deriva. Se eu quero assumir responsabilidade pela minha vida, ser a protagonista da minha história, eu preciso, ao menos, saber qual é essa história.

Segunda resposta: eu não sei estabelecer metas.

Já fiz alguns combinados comigo mesma. Por escrito até. Mas pensando bem, eram vontades, fantasias, desejos, intenções, não necessariamente, metas realistas com planos de ação para cumpri-las.

Como as listas de 31 de dezembro, com o balanço do ano anterior e o que eu acreditava serem as metas pro próximo ano. Uma análise das conquistas, uma constatação de desejos não realizado. Expectativas frustradas.

Terceira resposta: medo de não conseguir cumprir as minhas metas. Se eu não me comprometo, não falho, não me frustro, posso parar a qualquer momento, posso renegociar o meu próprio combinado, posso postergar. Total falta de comprometimento comigo mesma. Mais, total falta de respeito comigo mesma.

Desde que eu me dei conta disso, eu tenho enfrentado esse desafio, escrever metas, para o ano, para o dia, até para uma conversa. Não preciso de formalidade, só parar um instante, refletir e botar no papel. Organizar meu pensamento.

Quando tenho metas claras para o meu desafio, termino o dia com um sorriso e uma grande sensação de conquista.

E você, vai tentar?


 


 

Líder Academy
Juliana Elorza
Juliana Elorza Seguir

Co-fundadora do Boma Brazil, rede global que capacita líderes em um mundo de mudanças constantes. Preparadora de palestrantes no formato TEDTalks. Advogada empresarial na outra vida.

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